sábado, 7 de janeiro de 2017

Nisargadatta Maharaj - O Eu Está Além da Mente

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 *Texto extraído do livro: Eu Sou Aquilo de Nisargadatta Maharaj



O Eu Está Além da Mente


"Pergunta: Como uma criança, com frequência, experimentei estados de felicidade completa próximos ao êxtase. Mais tarde eles cessaram. Mas, desde que vim para a Índia, reapareceram. Particularmente, depois que encontrei você. Ainda assim, apesar de serem maravilhosos, esses estados não duram. Eles chegam e se vão. E não se sabe quando voltarão. 

Maharaj: Como algo pode ser estável em uma mente que em si mesma não é estável?

P: Como posso estabilizar a mente?

M: Como pode uma mente instável tornar-se estável? Claro que não pode. É da natureza da mente vagar. Tudo o que você pode fazer é mudar o foco da consciência para Além da Mente.

P: Como isto é feito?

M: Recuse todos os pensamentos exceto um: o pensamento Eu Sou. A mente se rebelará a princípio, mas com paciência e perseverança, cederá e permanecerá quieta. Uma vez que você esteja quieto, as coisas começarão a acontecer espontaneamente e de forma muito natural, sem qualquer interferência de sua parte.

P: Posso evitar esta prolongada batalha com a minha mente?

M: Sim, você pode. Simplesmente viva sua vida como vier, mas muito alerta, vigilante... permitindo que tudo ocorra da maneira que ocorrer, fazendo as coisas naturais do modo natural - sofrendo, gozando... como for a vida. Esta também é uma maneira de viver.

P: Então posso também casar-me, ter filhos, levar um negócio... ser feliz.

M: Claro que sim. Você pode ser feliz ou não. Leve a vida no seu ritmo.

P: Ainda assim eu quero felicidade.

M: A verdadeira felicidade não pode ser encontrada nas coisas que mudam e morrem. O prazer e a dor se alternam inexoravelmente. A felicidade vem do ser e só pode ser achada no ser. Encontre o teu ser (swarupa) e tudo mais virá com ele.

P: Se meu Eu Real é paz e amor, por que sou tão inquieto?

M: Não é que seu Ser Real seja inquieto, mas seu reflexo na mente assim o parece, pois a mente é inquieta. Ela é como o reflexo da lua na água movida pelo vento. O vento do desejo move a mente e o eu, que não é se não reflexo do Eu na mente, parece mutável. Mas essas ideias de movimento, de inquietude, de prazer e dor estão todas na mente. O Eu está além da mente, consciente, mas despreocupado.

P: Como alcançá-lo?

M: Você é o ser aqui e agora. Deixe a mente em paz. Seja consciente e desapegado e você compreenderá que permanecer alerta, mas destacado, observando como os fatos vão e vem, é um aspecto de sua verdadeira natureza.

P: Quais são os outros aspectos?

M:  Os aspectos são infinitos em número. Compreenda um e compreenderá todos.

P: Diga-me algo que possa ajudar-me.

M: Você conhece melhor o que necessita!

P: Estou inquieto. Como posso obter a paz?

M: Para que você necessita a paz?

P: Para ser feliz.

M: Não é feliz agora?

P: Não, não sou.

M: O que o faz infeliz?
 
P: Eu tenho o que não quero e quero o que não tenho.

M: Por que não inverter isto? Queira o que tem e não se preocupe com o que não tem..."

Nisargadatta Maharaj

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*Texto extraído do livro: Eu Sou Aquilo de Nisargadatta Maharaj

"Onde está a necessidade de mudar o que quer que seja? 
A mente está mudando de alguma forma todo o tempo. 
Olhe para sua mente desapaixonadamente; isso é o suficiente para acalmá-la. 
Quando ela estiver quieta, você pode ir além dela. 
Não a mantenha ocupada todo o tempo. 
Pare-a, e simplesmente seja. 
Se você der descanso à mente, ela se centrará e recobrará sua pureza e força. 
O pensar constante a faz decair.

Nada que você faça mudará a si mesmo, pois você não precisa de nenhuma mudança. 
Você pode mudar sua mente ou seu corpo, mas isso é sempre algo externo a você que foi mudado, não você mesmo. 
Por que se importar com toda essa história de mudança? 
Realize de uma vez por todas que nem seu corpo, nem sua mente e nem mesmo sua consciência é você e mantenha-se de pé sozinho em sua verdadeira natureza além da consciência e inconsciência. 
Nenhum esforço pode levá-lo lá, somente a clareza do entendimento. 

Não tente reformar a si mesmo, simplesmente veja a futilidade de toda mudança. 
O mutável mantém-se em mutação enquanto o imutável espera. 
Não espere que o mutável o leve ao imutável – isso jamais acontecerá. 
Somente quando a própria ideia de mudança é vista como falsa e abandonada, o imutável pode surgir.

As atividades da maioria das pessoas é sem valor, senão destrutiva. 
Dominado pelo desejo e medo, eles não podem fazer qualquer coisa de bom.
Os gurus estilizados falam de madurez e esforço, de mérito e aquisições, de destino e graça; tudo isso é mera formação mental, projeções de uma mente viciada. 
Ao invés de ajudar, eles obstruem. 

Não corra para a atividade. 
Nem aprendizagem nem ação podem realmente ajudar.
Não é o que você faz, mas o que você para de fazer que importa.
A atividade não é ação. 
Ação é oculta, desconhecida, inconhecível. 
Você pode somente conhecer o fruto. 
Ação não leva à perfeição; perfeição é expressa na ação. 

Há uma diferença entre trabalho e mera atividade. 
Toda a natureza trabalha. 
Trabalho é natureza. 
Natureza é trabalho. 
Por outro lado, a atividade é baseada no desejo e no medo, no desejo de possuir e desfrutar e no medo da dor e aniquilação. 
Trabalho é pelo todo para o todo, atividade é para si mesmo e por si mesmo.

Sua mente está estagnada nos hábitos de avaliação e aquisição, e não admitirá que o incomparável e o inobtível estão esperando eternamente dentro de seu próprio coração por reconhecimento.
Tudo que você tem a fazer é abandonar todas as memórias e expectativas. 
Apenas mantenha-se pronto em total nudez e vazio.  
Não faça nada, apenas seja. 
Apenas sendo tudo acontece naturalmente. 

Seja nada, saiba nada, tenha nada. 
Esta é a única vida que vale a pena ser vivida, a única felicidade que vale a pena ter.
Você não pode fazer nada. 
O que o tempo traz, o tempo levará embora. 
Este é o fim da Yoga, realizar independência. 

Tudo o que acontece, acontece na e para a mente, não para a fonte do “Eu Sou”. 
Uma vez que você realize que tudo acontece por si mesmo (chame a isso destino ou vontade de Deus, ou mero acidente), você permanece como testemunha somente, compreendendo e apreciando, mas nunca perturbado. 
Você é responsável somente pelo que você pode mudar. 
Tudo que você pode mudar é sua atitude. 
Aí mora a sua responsabilidade."

Osho - Aceitação

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Texto de Osho, extraído do livro: O Livro dos Homens.
Recomendo este livro a todos.
Dentre os que conheço, é o livro do Osho que melhor sintetiza o seu ensinamento.

"Por que o indivíduo não conhece o seu próprio eu?
Essa deveria ser a coisa mais fácil do mundo e, no entanto, tornou-se difícil a mais difícil.
Tornou-se praticamente impossível conhecer-se a si mesmo.
O que deu errado?

Apenas uma coisa deu errado e, a menos que a corrija, o indivíduo vai continuar na ignorância em relação a si mesmo.
E a coisa que deu errado é uma divisão que foi criada dentro dele.
Ele perdeu sua integridade.
A sociedade transformou o indivíduo em uma casa partida, ou seja, dividido contra si mesmo.
A estratégia é simples e, uma vez compreendida, pode ser removida.
Trata-se do seguinte: a sociedade proporciona ao homem os ideais de como ele deveria ser.
E reforça esses ideais de forma tão profunda nele que o homem passa a estar sempre interessado no ideal "como ele deveria ser", e se esquece do "quem ele é".

As pessoas estão obcecadas pelo ideal futuro e se esquecem da realidade presente.
Os olhos das pessoas estão voltados para o futuro distante.
E é por isso que não conseguem se voltar para dentro.
Estão constantemente pensando no que fazer e em como ser.
A linguagem que utilizam passou a ser "devo fazer" e "tenho que", e a realidade consiste apenas em "ser e estar" no presente.
A realidade não conhece nenhum dever, nenhuma obrigação.

Uma rosa é uma rosa, não há dúvidas de que seja alguma outra coisa.
E a flor de lótus é uma flor de lótus.
Nem a rosa tenta se tornar uma flor de lótus, nem a flor de lótus tenta se tornar uma rosa.
Portanto, elas não são neuróticas.
Não precisam de psiquiatra nem de qualquer psicanálise.
A rosa é saudável simplesmente porque vive a sua própria realidade.
E assim acontece com a existência como um todo, exceto com o homem.
Apenas o homem tem ideais e deve fazer isso ou aquilo.
"Ele deve ser isso e aquilo", e assim fica divido contra seu próprio "ser".
"Dever" e "ser" são inimigos.
Ele não pode ser nada que ele não seja.
Precisa deixar que isso ancore profundamente no coração: o homem só pode ser o que ele é, e nunca outra coisa.
Uma vez aprofundada essa verdade, a de que "consigo ser apenas eu mesmo", todos os ideais impostos desaparecem.
Eles são descartados automaticamente.
E quando não há ideal, encontra-se a realidade.
Daí, então, os olhos estão voltados para o aqui e agora e, portanto, o homem está presente para o que ele é.
A divisão desapareceu.
O homem é um ser completo.

Este é o primeiro passo: SER ÚNICO consigo mesmo.
E é difícil, dado tanto condicionamento, tanta educação, tantos esforços civilizatórios.
Se adotar o primeiro passo de apenas se aceitar e amar a si mesmo da maneira como é, a cada momento...
Por exemplo, você está triste.
Neste momento, está triste.
Todo o seu condicionamento lhe diz: "Você não deve ficar triste. É ruim. Não deve ficar triste. Você tem que ficar feliz."
Agora há divisão e, consequentemente, o problema.
"Você está triste": esta é a verdade neste momento.
E o seu condicionamento e a sua mente dizem: "Você não deve ficar assim. Você deve ficar feliz. Sorria! O que as pessoas vão pensar de você?"
Precisa dar risada, precisa sorrir, tem pelo menos que fingir que está feliz.

Este é o problema: fingir, atuar.
É possível produzir um sorriso, mas com isso a pessoa se transforma em duas outras.
Reprimiu a verdade e se tornou impostora.

E o impostor é apreciado pela sociedade.
O impostor se transforma em santo, o impostor se torna o grande líder.
E todos começam a seguir o impostor.
O impostor passa a ser o ideal de todos.
É por isso que o ser humano é incapaz de conhecer a si mesmo.
Como pode conhecer a si mesmo se não aceita a si mesmo?
Ele reprime o seu ser constantemente.
O que deve ser feito, então?
Quando estiver triste, precisa aceitar a tristeza: este é um sentimento que está tendo de fato.
Não deve dizer: "Estou triste".
Não deve dizer que a tristeza é algo separada dele.
Pode simplesmente afirmar: "SOU a tristeza. Neste momento, SOU a tristeza."
Precisa viver sua tristeza com total autenticidade.
E ficará surpreso quando uma porta miraculosa se abrir para o seu ser.
Ao viver sua tristeza sem a imagem de ser feliz, o homem fica feliz imediatamente, pois a divisão desaparece.
Não há mais nenhuma divisão.
"SOU a tristeza" e não há dúvidas quanto qualquer ideal de ser outra coisa.
Assim, não há nenhum esforço, nenhum conflito.
"Simplesmente isso", e uma sensação de relaxamento.
Relaxamento esse que se traduz em graça e alegria.
Toda a dor psicológica existe apenas em função de as pessoas estarem divididas.
Dor significa divisão, e felicidade significa a ausência de divisão.
Pode parecer paradoxal: se alguém está triste e aceita sua tristeza, como é que pode se tornar alegre?
Pode parecer paradoxal, mas é assim que acontece, basta tentar.

E não estou querendo dizer: "Deve-se tentar ser feliz" ou "Deve-se aceitar a tristeza para que se possa ser feliz".
Não quero dizer isso.
Se essa for a sua motivação, então não vai acontecer, e a luta continuará.
Você observará pelo canto dos olhos, pensando: "Tanto tempo se passou a aceitei até mesmo a tristeza, além de dizer "Sou a tristeza", e a alegria ainda não chegou". Ela não virá desse jeito.

A alegria não é um objetivo, é um subproduto.
É uma consequência natural da unidade, da unicidade.
Deve-se apenas se manter unido a essa tristeza, sem motivação e sem nenhum propósito em particular.
Não há necessidade de nenhum propósito.
Essa é a forma como você se encontra neste momento, essa é a sua verdade.
E no próximo momento, você pode estar bravo, e deve aceitar isso também.
E no momento seguinte, pode ser que esteja de algum outro jeito, e também deve aceitar da mesma forma.
As pessoas devem viver cada momento com aceitação extrema, sem criar nenhuma divisão, de modo a rumarem em direção ao auto-conhecimento.
Abandone a divisão, pois é aí que reside todo o problema.
Cada um está contra si mesmo.
Abandone todos os ideais que criam esse antagonismo dentro de você.
Cada um é o que é, aceite isso com alegria e gratidão.
E, de repente, uma harmonia será sentida.
Os dois eus, o eu ideal e o eu real, não estarão mais lá para brigar.
Vão se encontrar e se fundir em um só.
Não é realmente a tristeza que causa a dor às pessoas.
É a interpretação de que a tristeza é errada que lhes provoca a dor, e esta se torna um problema psicológico.
Não é a raiva que é dolorosa.
É a ideia de que a raiva é errada que cria ansiedade psicológica.
É a interpretação, não o fato.
O fato é sempre libertador."

Krishamurti - Como olhar para um fato?

Saanen, 1979




"Krishnamurti:
- O fato é que sou condicionado.
Agora vá devagar.
De qual maneira eu olho para o fato?
Isso é muito importante, certo?

Você está seguindo isto?
De qual maneira eu observo o fato?
Ao observar o fato, digo: "Preciso me livrar dele!"?
Ou digo: "Preciso conquistá-lo, suprimi-lo!" e assim por diante?
De qual maneira eu olho para o fato?
Entendeu?
Como olho para ele?

Platéia:
- Com medo.
- Sou ele, senhor.

Krishnamurti:
- O fato - por favor, siga isto - o fato é diferente de mim que estou observando o fato?
Entendeu minha questão?

Platéia:
- Não.
- Sim.

Krishnamurti:
- O fato é que sou condicionado e estou dizendo: "Como olho para o fato?", "De que maneira olho para ele?"
Olho para ele, o fato, como algo diferente de mim?
Ou esse condicionamento sou eu?
Por favor, vá devagar.
Certo?
Como você olha para ele?
Você olha para ele como se fosse separado do fato ou diz: "Sim, o fato sou eu!"?

Platéia:
- Separado.
- Primeiro, você está envolvido nele.

Krishnamurti:
- Olhe, madame, a raiva é diferente de você?
Obviamente, não.
Então, seu condicionamento é diferente de você?

Platéia:
- Não.

Krishnamurti:
- É isso aí.
Agora você está entendendo.
Então, você está observando o fato como se ele fosse você, você é o fato.
Agora, espere um minuto!
Então, o que acontece?

Platéia:
- Observamos o fato de que estamos vivendo no campo das ideias somente.

Krishnamurti:
- Senhor, suas mentes não estão treinadas.
Suas mentes são vagas, sabe?
Divagam por todos os lados.
Aqui está um problema, olhe para ele.
Isso é: a raiva é você.
Você não é diferente da raiva.
Espere! Espere!
Quando você está bravo, você é isso!
Então, o pensamento aparece e diz: "Fiquei bravo."
Então, o pensamento separa a raiva de você.
Entende?
Assim, igualmente você está condicionado, e esse condicionamento é você.
Espere!
O que você pode fazer se é você!

Platéia:
- Nada.

Krishnamurti:
- Não! Espere! Olhe!
Meu deus, vocês são todos tão...
A pele do orador é um pouco marrom.
Certo?
É marrom.
Mas quando ele diz: "Preciso mudá-la para outra coisa, porque as pessoas brancas são melhores", então estou em conflito.
Mas quando digo: "Sim, é assim", o que aconteceu a minha mente?
Senhor! Não salte ainda, indague!
O que aconteceu com a mente que disse antes: "A raiva é diferente de mim", mas agora a mente diz: "Que tolice, a raiva sou eu!"?
Agora, igualmente, a mente disse: "O condicionamento é diferente de mim", mas percebe que o condicionamento sou eu.
Então, o que acontece à mente?
Oh, senhor, por favor, não salte para coisas que você não vê realmente.
Não repita nada, não diga nada que você próprio não tenha visto.

Platétia:
- Não há mais conflito, o conflito foi resolvido.

Krishnamurti:
- A mente agora não está mais em contradição.
Certo?
Isso é tudo o que estou apontando.
Não está mais dizendo: "Devo fazer algo a respeito".
Entendeu?
A mente agora está livre da ideia, do conceito, do condicionamento de que eu tenho de agir.
Certo?
Assim, a mente agora está livre para olhar.
Está seguindo isto.
Apenas olhe.
O que é isso?
A mente diz: "Sou condicionado", não a mente é condicionada, mas a coisa toda é condicionada.
Então, diz: "Agora observe esse condicionamento".
O que acontece quando você observa?
Não há observador, porque o observador não é diferente da coisa observada, há somente observação.
Certo?
Você está seguindo isto?
Não verbalmente, realmente?
Então, o que ocorre quando você observa?
Observar puramente, não dar-lhe uma distorção.
A distorção acontece quando você diz: "Tenho de mudar!"
Ou: "Preciso suprimir, tenho de ir além disto!"
Tudo isso terminou porque você está meramente observando o fato de que a mente é condicionada.
Há pura observação.
Certo?
Não há esforço.
Então, o que acontece?
A coisa observada simplesmente se transforma.
Certo?
Você está seguindo?
Não irá, a não ser que o faça, não irá.
A não ser que aplique, faça, você dirá: "Não vejo isto!"

Mooji - Reconheça-se Consciência


"Pergunta: E quando ocorrerem novamente ( fortes sensações, sentimentos, fortes crenças que nos distraem fortemente), quando acontecerem novamente, o que fazer?

Mooji - Bem, eu quero primeiramente que você não lute com esta tempestade. Não adianta tentar escapar mesmo que só por um instante, não lute. Basta deixá-la ser como é, dê a ela a possibilidade de existir por um momento. Simplesmente esteja ciente, apenas isso, consciente daquilo que está se passando.

Não lute, apenas descreva aquilo que está se passando. Não resista, nem julgue ou faça qualquer avaliação apenas esteja ali, consciente observando; tudo o que fizer a mais estará aumentado a tormenta, estará dando mais energia a ela.

Logo, lhe digo, não lute. Tudo é pensamento e estar ciente é tudo o que se pode fazer. Não interprete. A pior coisa que pode acontecer é interpretar as sensações que estão chegando. As sensações por si só não são problema. Pior do que as sensações é a tendência a interpretá-las de uma maneira pessoal. ( Por que isso está acontecendo comigo... eu apenas quero me ver livre disto... eu não quero mais isso...)

Este eu, eu, eu... sempre está lá, sempre está presente.

É ele que dá um sentimento ruim, um cheiro ruim.

A sensação por si só é apenas uma sensação. Mas, o significado é dado pelo eu, é único. Você está criando o significado em algo e em seguida o sofrimento surge.

Não quero lhe dar uma pílula - quero que você tenha um claro entendimento nos momentos como este.

Quando tiver um ataque de pânico, esteja alerta. A consciência está lá antes que qualquer sensação apareça. Porque toda sensação é percebida porque a consciência está presente para reconhecê-la. É a consciência que percebe tudo o que acontece em você. De fato, até a consciência de que você existe, advém da consciência mesma, isto é certo, você precisa ver isso.

A habilidade de perceber é sua consciência que está sempre presente, ela não é uma crença é a realidade, ela não tem intenção em ser, ela é. 

De fato mesmo nos momentos de medo intenso, quero que transforme este medo em consciência para sua liberdade, para sua transformação. Esta é uma mudança enorme da qualidade da experiência, que ao invés de correr, de fugir dela, você está lá plenamente consciente, alerta e reconhecendo que são apenas sensações temporárias que se não forem alimentadas pela mente, pelo julgamento e análises, não ganham força e se dissolvem como nuvens no céu.

Então, deixe que o medo venha, ele não lhe causará mal algum."
Mooji em Satsang - Rishikesh

Shunryu Suzuki

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"Dar um pasto amplo a sua ovelha e sua vaca é a maneira de controlá-las"

Texto do Mestre Zen Shunryu Suzuki (livro: Mente Zen, Mente de Principiante)

"Os pintores antigos tinham uma prática que consistia em colocar no papel pontos em desordem de modo artístico.
Isso é bastante difícil.
Mesmo que você tente, acabará fazendo de alguma forma ordenada.
Você pensa que a coisa está sob seu controle, mas não está; é quase impossível colocar os pontos fora de alguma ordem.

O mesmo se dá na sua vida diária.
Embora você tente, é impossível ter as pessoas sob controle.
A melhor forma de controlar as pessoas é encorajá-las a ficarem à vontade.
Então elas estarão sob controle no mais amplo sentido.

Dar a sua ovelha ou vaca um pasto grande é a melhor forma de tê-las sob controle.
O mesmo acontece com relação às pessoas; primeiro deixem que façam o que bem entenderem e observe.
Esta é a melhor política.
Ignorá-las não funciona; é a pior estratégia.
A segunda pior tática é tentar controlá-las.

A melhor de todas é apenas observá-las.
O mesmo acontece quando se trata de você mesmo.
Se quiser obter perfeita calma durante seu zazen, não deve se aborrecer com as diversas imagens que passam na sua mente.

Deixe que elas surjam e desapareçam.
Assim elas estarão sob controle.
Mas não é fácil fazer isso.
Parece fácil, mas na verdade requer algum esforço especial.
Como realizar esse esforço é o segredo da prática.

Suponhamos que você esteja sentado em circunstâncias extraordinárias.
Se tentar acalmar sua mente, não conseguirá meditar e, se tentar não se perturbar com isso, seu esforço não será o correto.
O único esforço que o ajudará será contar a sua respiração ou concentrar-se no movimento de inspirar e expirar.
Nós dizemos concentração, mas concentrar sua mente em algo não é o verdadeiro propósito do Zen.

Seu verdadeiro propósito é ver as coisas como elas são e deixar que tudo siga seu curso.
Isso é ter as coisas sob controle, no mais amplo sentido.
Praticar o Zen é abrir nossa mente pequena.
Assim, a concentração é apenas um recurso para auxiliá-lo e se aperceber da "mente grande" - da mente que é o todo.

Se quer descobrir o verdadeiro sentido do Zen na sua vida diária, você tem que entender o sentido de manter sua mente na respiração e o corpo na postura correta do zazen.
Você deve seguir as regras da prática, e seu treino tem de tornar-se gradativamente mais cuidadoso e sutil.
Só dessa maneira poderá experimentar a vital liberdade do Zen".

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O Verdadeiro Artista da Sedução

 


O Verdadeiro Artista da Sedução e A Busca Por Expressão

Seja sincero consigo mesmo e responda:
Quando você decidiu entrar nesse mundo Pick Up, seu verdadeiro desejo era o de se tornar um verdadeiro ARTISTA da sedução?
Sendo otimista, acredito que 9 em cada 10 caras responderão honestamente a esta pergunta com um grande NÃO...
E isto acontece porque não é fácil ser um autêntico ARTISTA.
E não é fácil ser um AUTÊNTICO artista porque toda arte gira em torno da capacidade de EXPRESSÃO do indivíduo.
E a principal falha de TODO cara que não entende porra nenhuma de sedução é justamente a falta ou a pobreza na sua capacidade de EXPRESSÃO. 

Todos nós conhecemos em algum momento de nossas vidas os chamados NATURAIS.
Falando de mim mesmo, conheci meu primeiro amigo natural quando eu estava na 6 série.
Todas as garotas gostavam dele.
E por incrível que pareça, tudo o que ele fazia era ser... NATURAL: ele falava o que pensava, fazia o que tinha vontade... expressava externamente quem ele era interiormente, coisa que eu não podia compreender na época.

Na minha adolescência, eu pensava que havia algum segredo em como lidar com as mulheres.
"Ser natural" ou "espontâneo", "ser eu mesmo" e esse tipo de coisa... parecia uma solução simples demais para um "problema" que eu acreditava ser tão complexo.
E sendo honesto com você, caro amigo, ainda que eu não percebesse na época, meu real problema era esse: eu acreditava que nem uma mulher gostaria de mim se me conhecesse como eu realmente era... logo, eu não poderia me expressar, eu não poderia mostrar a ninguém o que havia dentro de mim.

Corrija-me se eu estiver errado, mas me parece que esse é o exato ponto de partida da maioria dos que começam com o pick up: a falta de confiança em si mesmo.
E justamente por não confiar em si mesmo, o sujeito tenta desenvolver uma máscara, uma nova personalidade... um novo modo de ser que ele acredita que as mulheres possam vir a gostar.
E ele chama todo esse processo de "mudança".
Através dessas "mudanças", ele espera receber aplausos e apreciação do público feminino, espera ser reconhecido e admirado, espera tornar-se o "alpha" do qual dependem todas as mulheres...
Mas isso não é absurdo?
Se essa personalidade é só uma máscara, por quanto tempo alguém saudável é capaz de segurá-la?
Por quanto tempo alguém saudável é capaz de fingir ser o que não é e permanecer feliz com isso?

Percebam que ainda que a máscara possa trazer um lampejo de sucesso a curto prazo, ela é um grande empecilho para o desenvolvimento do indivíduo a longo prazo, principalmente se ele pretende ser um Artista da Sedução.
O Artista da Sedução não é aquele que pesquisa frases prontas em livros e grupos e tenta impressionar as mulheres com sua suposta "criatividade". Esse tipo está mais para "plagiador da sedução" e copiadores existem por aí aos montes.

Caro amigo, tenha a ousadia de ser você mesmo.
Tenha a ousadia de criar sua própria arte através da sedução.
Não tente impressionar ninguém.
O objetivo do verdadeiro Artista é expressar sua arte da forma mais pura, da forma como ele a concebe, pelo próprio prazer que a criatividade lhe gera... se a obra será admirada ou não, não é tão importante.
Não está nas mãos do Artista controlar as pessoas para que elas o amem.
O Artista é livre e respeita a liberdade de escolha daqueles que observam sua arte.
Apenas seja sincero consigo mesmo e permita que sua obra de arte fale por si mesma e expresse quem você é.
Divirta-se com o processo.
A criatividade é um meio de promover o auto-conhecimento, de promover a auto-descoberta.
Tenho certeza de que você surpreenderá a si mesmo quando vir o resultado final de sua Obra de Arte...