domingo, 15 de novembro de 2015

Osho - Não Tente Mudar





"Tente entender isto. Você está tenso, você está infeliz, você está deprimido, com raiva, voraz, violento. Mil doenças estão presentes. Ainda assim, você pode praticar o silêncio. Estas doenças estarão dentro de você e você pode criar uma camada de silêncio. Você pode fazer meditação transcendental; você pode usar um mantra. O mantra não irá mudar sua violência, nem irá mudar sua avidez. Não irá mudar nada profundamente. O mantra pode apenas dar um efeito tranqüilizante. Apenas na periferia, você se sentirá mais silencioso. Isso é apenas um tranqüilizante, um som tranquilizador e a tranqüilização é possível através de muitos meios - muitos meios. Quando você repete um mantra continuamente, você se torna sonolento. Qualquer repetição contínua de um som cria tédio e sono. Você se sente relaxado, mas este relaxamento está apenas na superfície. Dentro, você permanece o mesmo.
 
Continue praticando um mantra todo dia e você sentirá um certo silêncio - mas não verdadeiramente, porque suas doenças não mudaram, sua estrutura de personalidade permanece a mesma. Ela está apenas disfarçada. Pare com o mantra, pare a prática e todas as suas doenças voltarão novamente.

Isto está acontecendo em todo lugar. Buscadores vão de um professor a outro. Eles prosseguem nisso, praticando, e quando eles param suas práticas, descobrem que são os mesmos; nada aconteceu. Nada acontecerá desta maneira. Estes são silêncios cultivados. Você tem que continuar cultivando-os. Naturalmente, se você continua cultivando-os, eles permanecem com você apenas como um hábito, mas se você quebra o hábito, eles desaparecem. Um silêncio real vem não por se usar uma técnica superficial, mas por você estar consciente de tudo o que você é - não somente estar consciente, mas permanecer com o fato daquilo que você é.

Permaneça com o fato. Isto é muito difícil porque a mente quer mudar. Como mudar a violência, como mudar a depressão, como mudar a infelicidade? A mente procura mudar para criar de certa maneira uma imagem melhor no futuro. Por causa disso, a pessoa continua procurando este e aquele método.

Permaneça com o fato e não tente mudá-lo. Faça isso por um ano. Fixe uma data e diga que: "A partir desta data, por um ano, eu não pensarei em termos de mudança. Eu permanecerei com tudo aquilo que eu sou; eu apenas estarei alerta e consciente". Eu não estou dizendo que você não terá que fazer nada, mas esse estado alerta é o único esforço. Você tem que estar alerta, não pensando em termos de mudança; permanecendo com tudo aquilo que você é - bom, mau, o que quer que seja. Um ano, sem nenhuma atitude de mudança, apenas estando alerta, de repente um dia você descobrirá que você não é mais o mesmo. O estado de alerta terá mudado tudo."

Osho - Sobre o Ego





"Através do ego a sociedade controla você. Você tem que se comportar de certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo. Você tem que caminhar desse jeito, você tem que rir assim, você deve seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você não sabe onde está, você não sabe quem você é.

Os outros deram-lhe a ideia. E essa ideia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. 
E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o Eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o Eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.

Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas…

Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de “eu sou”. 
Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos – porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser… É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca – a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.

Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.

E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.

Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca – e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.

Precisamos ser ousados, corajosos. Precisamos dar um passo para o desconhecido.

Por um certo tempo, todos os limite ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.

Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é a sua alma, o Eu.

Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade.
 Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade – essa é a própria ordem da existência.

É o que Buda chama de Dhamma*, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiura delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas…

O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?

O ego não é individual. O ego é um fenômeno social – ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o Eu.
 E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa? E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer…

E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.

Tente entender isso. E comece a procurar o ego – não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu – seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.

As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você – mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: ‘Quem está me tornando infeliz?’ ‘Quem está causando a minha raiva?’ ‘Quem está causando a minha angústia?’

Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo – porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: ‘tornei-me humilde’…

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria – então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: ‘eu abandonei o ego’. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade…

É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.

Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.

Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo… e então o verdadeiro centro surge.

E esse centro verdadeiro é a alma, o Eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir.”
 
Osho - Além das Fronteiras da Mente

Osho - Não Mente



"Não é possível parar o pensamento - não é que ele não pare, só não é possível fazê-lo parar. Ele pára espontaneamente. É preciso entender essa diferença; do contrário você vai ficar maluco tentando perseguir a sua mente.

A não-mente não surge quando você pára de pensar. Quando não existe mais o pensar, existe a não-mente. O próprio esforço para parar de pensar criará mais ansiedade, criará mais conflito, fará com que você fique dividido. Você viverá em constante tumulto interior. E isso não ajudará em nada.

E, mesmo que você consiga forçá-lo a parar por alguns instantes - isso não será nenhuma conquista - pois esses instantes ficarão quase mortos, não serão nada vivos. Você poderá até sentir uma certa tranquilidade... mas não silêncio. Pois a tranquilidade forçada não é silêncio. Lá no fundo, nas profundezas do inconsciente, a mente reprimida continua em atividade.

Portanto, não existe um meio de parar a mente. Mas a mente pára - isso é certo. Ela pára por livre e espontânea vontade.

Então o que fazer? A pergunta é relevante. Observe. Não tente pará-la. Não é preciso fazer nada contra a mente. Pra começar, quem iria fazer isso? Seria a mente brigando com ela mesma; você dividiria sua mente em duas: uma mente estaria tentando ser a chefe, a manda-chuva, estaria tentando matar a outra parte de si mesma -  o que é um absurdo. É um jogo idiota, pode levá-lo à loucura. Não tente deter a mente ou o pensamento - só o observe, dê vazão a ele. Deixe a mente em total liberdade. Deixe-a vagar no ritmo que quiser; não tente de forma alguma controlá-la. Seja só uma testemunha.

Ela é tão bela! A mente é um dos mecanismos mais belos que existe. A ciência ainda não foi capaz de criar nada como ela. A mente continua sendo uma obra-prima, tão complicada, com um poder tão grande, com tantas potencialidades. Observe-a! Aprecie-a!

E não a vigie como se ela fosse um inimigo, pois se você olhar a mente como um inimigo, não conseguirá observá-la. Você já será preconceituoso, já estará contra ela. Já terá decidido que existe algo de errado com a mente - já terá chegado a uma conclusão. E sempre que você olha para uma pessoa como se ela fosse sua inimiga, você não a olha profundamente, nunca a olha dentro dos olhos; você a evita.

Observar a mente significa olhar para ela com um amor profundo, com profundo respeito e reverência - ela é uma dádiva de Deus para você. Não existe nada de errado com a mente em si. Não há nada de errado com o ato de pensar. Trata-se de um lindo processo, assim como é todo processo. As nuvens cruzando o céu são lindas - por que não haver pensamentos cruzando o céu interior? As flores pendendo das árvores são lindas - por que não haver pensamentos florescendo no seu ser? o rio correndo para o mar é lindo - por que não haver essa corrente de pensamento correndo em algum lugar rumo ao desconhecido? Não é lindo? Olhe a mente com profunda reverência. Não brigue com ela; ame-a.

Observe as sutis nuances da mente, os volteios repentinos, os belos volteios. Os saltos e trancos que ela dá; os jogos que continua fazendo, os sonhos que ela navega - a imaginação, a memória,  as mil projeções que ela cria - observe! Ficando ali, afastado, um pouco distante, sem se envolver, paulatinamente você começa a sentir... Quanto mais atento você fica, mais profunda fica a sua consciência; começa a haver lacunas, intervalos. Um pensamento vai, não vem outro, e surge uma brecha. Uma nuvem passa, outra está a caminho e surge um intervalo.

Nesses intervalos, pela primeira vez você terá lampejos da não-mente. Você sentirá o gosto da não-mente - chame-o de gosto do Zen, do Tao ou da Ioga. Nesses pequenos intervalos, de repente o céu fica limpo e o sol brilha. De repente o mundo se enche de mistério, porque todas as barreiras vão abaixo; a tela nos seus olhos deixa de existir. Você vê com clareza, de modo penetrante. Toda a existência fica transparente..." 


Osho - Consciência, A Chave para Viver em Equilíbrio

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sobre Meditação



Sim, utilizo o método de observar a respiração e além disso
o que mais fez diferença na qualidade da minha meditação
foi aquilo que o Osho chamava de ACEITAÇÃO.

Isso me faz lembrar uma máxima do Jidu Krishnamurti que considero
um dos pensamentos mais significativos da história da filosofia:
"O Observador é o Observado".

Desde a primeira vez que ouvi isso até hoje, continuo absorvendo o significado dessa máxima...
"O Observador é o Observado"...
Mas o que isso significa?

Assim como você tem cabelo na cabeça,
você tem pensamentos na mente.
Apesar de o cabelo fazer parte de você,
ao mesmo tempo ele não é você.
E da mesma forma... ainda que o pensamento esteja na tua mente, ele não é você, ele é apenas uma parte, mas não te representa em tua totalidade.

E o que acontece se você tenta arrancar o teu próprio cabelo à força?
Puxando com agressividade, tentando se livrar dele?
Se fizer isso, estará cometendo um ato de violência contra si mesmo.
Tamanha agressividade física não é necessária.

Mas talvez as vezes, você cometa esse mesmo ato de violência só que de forma psicológica.
Talvez as vezes, você tente arrancar um pensamento da tua mente, livrar-se dele... e isso é uma violência.

E assim voltamos para a máxima: "O Observador é o Observado".
Se o pensamento que está na tua mente é parte de você... como você poderia se livrar se si mesmo?
Somente se suicidando, mas esta não seria uma atitude muito inteligente...
E há pessoas que tentam silenciar a mente através da bebida, através das drogas...
Mas estas atitudes tão pouco são inteligentes também.

Então, tudo o que resta há ser feito através da meditação é a aceitação.
Você não precisa se preocupar em arrancar o cabelo... os fios cairão no momento certo.
Você não precisa se preocupar em se livrar dos teus pensamentos... através da observação, eles passarão no momento apropriado.

É curioso que indivíduo pode adquirir o significado de "aquele que não se divide".
O indivíduo pode e deve reconhecer que a natureza da sua mente é a integridade,
totalmente sem conflitos, na qual o observador aceita o observado como parte de si mesmo...

domingo, 23 de agosto de 2015

Gestalt Emergente



Acabei de receber um trecho da conversa entre Dr. T e N. Brainmaster e como o assunto é de "utilidade pública" e pertinente a nós, andarilhos da jornada do Inner Game, resolvi compartilhar o que a Gestalt-terapia aplicada à conversa entre eles poderia nos dizer...

O tema da conversa deles girou em torno do que eles chamaram de introspecção.
Em Gestalt-terapia, toda atividade mental é considerada como FANTASIA, logo a introspeção é incluida aqui também.
Se alguma vez você deixou de prestar atenção ao que ocorria ao teu redor e começou a ter um diálogo interno consigo mesmo, isso significa que você esteve fantasiando.

A fantasia por si só não é boa nem ruim, mas ela pode ser inútil ou de grande utilidade.
Se você reserva um tempo para sentar e pensar consigo mesmo como resolver um problema, certamente estaria usando a fantasia de uma forma proveitosa.
Mas se acaba usando a fantasia para se desligar do ambiente e viajar na maionese... saiba que assim estaria usando a sua mente e a fantasia de forma negativa, visto que estaria perdendo o momento, perdendo o poder de viver no agora...

Como lidar com isso?
Não há escapatória... a fantasia, o diálogo interno, o turbilhão de ideias que enlouquecem uma mente agitada, só podem ser remediadas pela prática da meditação.
Meditação não é apenas reservar um momento particular para ficar parado sem pensar em nada.
Meditação é um estilo de vida, é o caminho da aceitação.

Sempre que percebo que o turbilhão de ideias está se iniciando, muito serenamente trago minha atenção para o AGORA, para o que está acontecendo ao meu redor (externamente) ou para o que acontece com o meu corpo ou minha respiração (internamente).
Essa consciência do externo ou do interno permite uma tomada de consciência e consequente silenciamento do diálogo interno... que acaba por perder forças com a prática de se viver no agora.

Mudando um pouco de assunto, imagine o seguinte:
Imagine que sua mente é uma piscina cheia de água.
Você tenta afundar uma bola dentro dessa piscina.
Como a bola está cheia de ar, você não consegue e ela volta à superfície, a bola emerge.

De forma semelhante, às vezes temos conteúdos internos que costumam emergir na nossa mente, sempre voltando à superfície caso não sejam resolvidos.
Estas são Gestalten emergentes que precisam ser resolvidas na realidade e por isso não podem ser solucionadas até que você aprenda a lidar com elas e resolvê-las, para que então se tornem Gestalten fechadas...

Daí a necessidade de reconhecer se o teu diálogo interno pode ser solucionado através da conscientização do momento ou se ele é uma Gestalt aberta que vez e outra se torna uma Gestalt emergente...


sábado, 1 de agosto de 2015

Matrix, Hobbies N Money




Faz tempo que não crio nenhum texto.
Os meus últimos post´s aqui no blog foram textos que não são de minha autoria.
Estive "preso" na matrix essses dias.
Tanto trabalho, tanto estudo... tantas obrigações e pouco tempo pra mim mesmo...

Gosto de escrever, este é um hobby que realmente me alegra e me distancia das atividades cotidianas.
Já faz algum tempo, encontrei um site que falava sobre a matrix e sua relação com hobbies... 
Hoje, falarei sobre isso com vocês.

Já repararam o quanto somos escravizados?
Geralmente, uma pessoa comum cumpre uma carga de trabalho de 40 horas por semana, o que dá 8 horas de trabalho por dia.
Se for uma daquelas que trabalha longe de casa e ainda perde algumas horas esperando pelo transporte público e mais o tempo de percurso... o tempo gasto com o trabalho pode chegar próximo ou superior as 10 horas  diárias.

Ok. Supondo que essa pessoa tenha um sono regular, o que seria em torno de 8 horas, teremos um total de 16 à 18 horas de tempo dedicado somente ao sono e ao trabalho e então eu lhes pergunto: quanto tempo sobra para essa pessoa de fato viver?
A resposta seria algo em torno de 8 ou apenas 6 horas por dia, ou seja, cerca de 1/3 do seu tempo de vida ou menos, e isso se ela não tiver outras responsabilidades como faculdade ou filhos por exemplo, que iriam lhes tirar mais algumas hora diárias...

Portanto, vou lhes falar algo que não é novo, senhores, mas que talvez vocês não tenham estado conscientes nesses últimos dias: A VIDA É CURTA!!!
Ou, como diria um grande filósofo da minha geração chamado Ferris Bueller:  A VIDA PASSA MUITO DEPRESSA. SE NÃO PARARMOS PARA CURTÍ-LA DE VEZ EM QUANDO, ELA PASSA E VOCÊ NEM VÊ!!!

E então? 
Como vocês estão vivendo?

Estão curtindo a vida adoidados ou estão sendo tragados pela matrix?

Conseguem viver todos os dias ou seu momento de lazer acaba sendo restrito aos fins de semana ?

Ontem, saí para assistir o filme de terror "A Forca" (super sem graça e não assusta ninguém da geração DBZ!!!)  e gastei mais de R$ 50,00 em dois ingressos, um balde de pipoca e um copo médio de refrigerante...
Saindo do cinema, vi um cartaz de um comediante que vai se apresentar no teatro do shopping. 
Valor R$ 60,00 uma apresentação de 1 hora...

Não chego a ser um pão duro, mas fico com a impressão de que trabalhar 5 dias durante a semana e ter apenas 2 dias restantes para compensar fazem com que hobbies como cinema, teatro e compras dentro de um shopping center tenham um valor estratégico de sugar a grana que foi acumulada durante a semana...
É algo inversamente proporcional... se a pessoa passa 5 dias seguidos presa no trabalho, ela pode acabar desenvolvendo uma forte compulsão em gastar bastante no fim de semana com divertimento e outras formas de lazer... como forma de tentar recuperar o gosto pela liberdade e algum sentido de diversão antes que a semana acabe e a rotina da prisão do trabalho recomece de novo...

Não sei se estou viajando com teorias da conspiração, mas pra mim, este fim de semana fez todo o sentido.
Se você for do tipo que curte baladas, faça as contas de quanto você gasta com entrada e bebidas...
Tenho certeza de que se trata de um valor bastante "salgado" se você for do tipo que curte beber.

Conclusão: a matrix tenta nos explorar de todas as formas, seja através do nosso suor no trabalho, seja financeiramente com lazer no fim de semana.
É preciso estar ciente de como viver de forma saudável, aproveitando a vida ao máximo sem cair nas explorações que ela nos impõe...






Osho - Consciência e Centramento




"Primeiro é preciso entender o que significa consciência.
Você está andando na rua.
Está consciente de muitas coisas - das lojas, das pessoas que passam por você, do tráfego, de tudo.
Está ciente de muitas coisas, menos de uma - você mesmo. 
Você está andando na rua, consciente de muitas coisas e esquecido de si mesmo!
Esta consciência do eu George Gurdjieff chamou de "lembrança de si mesmo".
Ele dizia: "Constantemente, onde quer que você esteja, lembre-se de si mesmo."

Não importa o que esteja fazendo, nunca deixe de fazer outra coisa interiormente: ficar consciente do que estiver fazendo.
Você está comendo - fique consciente de si mesmo.
Está caminhando - fique consciente de si mesmo.
Está ouvindo, está falando - fique consciente de si mesmo.
Quando estiver com raiva - fique consciente de que está com raiva.
Esta lembrança constante de si mesmo cria uma energia sutil, uma energia muito sutil dentro de você.
Você começa a ser um ser cristalizado.

Na maior parte do tempo, você é só um saco vazio!
Nenhuma cristalização, nenhum centro de verdade - só liquidez, só uma combinação ao acaso de muitas coisas sem nenhum centro.
Uma multidão em constante mudança, mas sem ninguém que a comande.
A consciência é o que faz de você o comandante do navio - e quando digo comandante não quero dizer alguém que detenha o comando.
Quero dizer uma presença - uma presença contínua.
Sempre que estiver fazendo alguma coisa, ou não estiver fazendo nada, uma coisa tem que ser constante na sua consciência: que você é.

O simples sentimento de si mesmo, e de que esse si mesmo é, cria um centro - um centro de calma, um centro de silêncio, um centro de comando interior. 
Trata-se de um poder interior.
E quando digo "poder interior" quero dizer literalmente isso.
É por isso que Buda fala do "fogo da consciência" - ela é um fogo.
Se começar a ficar consciente, você começará a sentir uma energia nova em você, um fogo, uma vida nova.
E por causa dessa vida nova, desse poder, dessa energia, muitas coisas que dominavam você se dissipam.
Você não tem de lutar contra elas..."


Fonte: Osho - Consciência, A Chave Para Viver em Equilíbrio (livro)