quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Bases para o Inner Game

 


Ninguém espera que um jogador doente faça uma boa partida.
Ou que ele dê 100% num campo de futebol encharcado.
Para que seja feito um bom jogo, o jogador precisa estar bem consigo mesmo, assim como precisa que o ambiente de jogo seja adequado.

Hoje vamos falar de elementos básicos para o Inner Game.
Apesar de básicos, muitos jogadores pecam nesses elementos e não é de se estranhar que não tenham um psicológico equilibrado para jogar o jogo da sedução de forma adequada.

Chega de conversa e vamos ao ponto central da questão: comece dividindo a sua vida em setores e veja onde estão os teus pontos fracos, os pontos que precisam ser melhorados.
Por exemplo, podemos fazer uma divisão básica em 3 setores:

- Físico: você se alimenta corretamente? Bebe água em quantidade adequada? Tem boas noites de sono? Pratica exercícios de forma regular? Está satisfeito com o seu corpo? Goza de uma boa saúde? 

- Social: você está bem com sua família? Está bem com os colegas de trabalho ou da faculdade? Possui amigos? Sai com regularidade? Está namorando?

- Financeiro: é você mesmo quem paga suas contas? Ganha o suficiente para desfrutar de um bom lazer? Ganha o bastante para economizar e aumentar o seu patrimônio? Está satisfeito com o seu trabalho?

Percebam que as grandes diferenças são criadas pelos detalhes.
Se você nem sequer se alimenta bem e não está satisfeito com o seu corpo, é provável que não tenha confiança suficiente para fazer uma boa abordagem.
Se você não se dá bem nem com sua família e colegas de trabalho, é provável que não tenha habilidade social para desenvolver uma conversa agradável.
Se ainda não paga suas contas e não tem dinheiro para lazer, é provável que fique limitado quanto a opções de bons lugares para sair no fim de semana.

Resumindo: todo indivíduo possui necessidades e o grau de satisfação dessas necessidades define o nível de bem-estar que o indivíduo experimenta, sendo assim, interior (necessidades) e exterior (satisfação) precisam estar equilibrados.
Quanto mais satisfeito você estiver com sua vida, com quem você é e com o quê você faz, mais equilibrado e forte será o seu Inner Game.



segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A Arte da Sedução

 


"Alguém plenamente satisfeito não pode ser seduzido." - Robert Greene.

Recentemente, estive lendo o livro A Arte da Sedução - Edição Concisa de Robert Greene.

Gostei do livro, muito bem escrito, possui dicas que facilitam insights interessantes apesar de muitas das ideias descritas pelo autor, ao menos a princípio, parecem-me difíceis de serem colocadas em prática...

Dentre todos os pensamentos descritos no livro, sem dúvida, o que mais me chamou atenção foi o pensamento mencionado no início deste texto. 

Será mesmo que uma pessoa plenamente satisfeita não pode ser seduzida?

Para tentarmos responder isso, primeiramente, é preciso entender então quem é que pode ser seduzido.

Vamos direto ao assunto: sabemos que as pessoas mais facilmente "apaixonáveis" são aquelas que possuem algum tipo de vulnerabilidade emocional, carência afetiva e fantasias latentes que ainda não foram realizadas. Essa descrição bate bem com o típico adolescente que idealiza uma grande paixão, que sonha em um dia encontrar um grande amor e todo aquele blá, blá, blá... enfim...

Ainda que essas características sejam  compatíveis com adolescentes, elas também combinam com boa parte da sociedade adulta, afinal, o fato é que a maioria dos adultos permanecem com a mentalidade adolescente e do ponto de vista emocional então... alguns chegam a beirar a infantilidade...

O que faz de um adulto um verdadeiro adulto?

A capacidade de ser responsável, de lidar com a realidade, de experimentá-la da forma como ela de fato é... são características básicas que na minha opinião diferenciam os adultos dos adolescentes.

Trazendo para o tema da paixão, podemos afirmar que enquanto o adolescente fantasia com a sua parceira e idealiza características que ela de fato não possui, o adulto é capaz de enxergar a parceira como ela realmente é, é capaz de lidar com os seus defeitos e se adaptar a eles. 

Dizendo de outra forma, o adolescente espera que sua parceira o complete enquanto o adulto é completo por si só... 

Vale lembrar que ser adulto, ser completo por si só... requer certo tempo de vida para que o indivíduo possa de fato amadurecer. Só uma pessoa que já viveu várias paixões, que já provou de diversos amores e reconheceu as sutilezas de seus variados gostos tanto em qualidade quanto em profundidade poderá encarar a vida sem fantasias de apaixonamento.

Portanto, caro amigo que está lendo isto agora, se você age como um bobão quando está apaixonado não há como evitar este acontecimento... apenas desfrute da paixão, adquira experiência, saboreie tanto o doce quanto o amargo que a paixão pode te oferecer com a máxima consciência possível pois este é o único caminho para um dia alcançar a plenitude...
"O único meio de livrar-se de uma tentação é ceder a ela." - Oscar Wilde

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Auto-Sugestão





"O método pelo qual o desejo de riquezas pode ser transformado em seu equivalente financeiro fundamenta-se em seis práticos e definidos passos:

Primeiro - Fixe em sua mente a quantia exata que você deseja. Não basta dizer apenas: "Eu quero muito dinheiro". Determine qual o montante.
(Existe uma razão psicológica para essa determinação, que será descrita em um dos próximos capítulos).

Segundo - Declare exatamente o que pretende dar em troca do dinheiro que receber. (Nada vem de graça).

Terceiro - Estabeleça uma data definida na qual pretende possuir a importância desejada.

Quarto - Elabore um plano detalhado para a realização do seu desejo e comece imediatamente, quer se considere ou não em condições de colocá-lo em ação.

Quinto - Redija um documento declarando precisa e claramente a quantia que quer conseguir, determinando o prazo limite, especificando o que pretende dar em troca e descrevendo em detalhes o plano a ser posto em prática para juntar o dinheiro.

Sexto - Leia a declaração escrita em voz alta, duas vezes por dia: uma antes de deitar-se à noite e outra assim que levantar-se pela manhã. Enquanto lê, acredite que já tem o dinheiro em seu poder. Veja e sinta a cena.

Você recebeu a instrução de ler em voz alta, duas vezes por dia, diariamente, a descrição feita por escrito do seu desejo por dinheiro, vendo-se e sentindo-se já em posse do dinheiro. Ao seguir essas instruções você comunica o  objeto do seu desejo diretamente ao subconsciente, em um espírito de fé absoluta. Com a repetição desse procedimento, criam-se voluntariamente hábitos de pensamento favoráveis aos seus esforços de transformar o desejo em seu equivalente monetário."

Napoleon Hill - Quem Pensa Enriquece

domingo, 15 de novembro de 2015

Mente Zen


 
"Dar um pasto amplo a sua ovelha e sua vaca é a maneira de controlá-las."
Shunryu Suzuki 


Sabemos que o organismo possui a capacidade de se auto-regular.

Se você começa a correr, o corpo aumenta o ritmo cardíaco, acelera a respiração, mais sangue é bombeado para os músculos e assim a fisiologia muda para se adaptar à corrida.

Se você ingere comida estragada, o corpo sabe se auto-regular expulsando o alimento prejudicial através do vômito.

E o mesmo acontece se você sente sede... quando o corpo necessita de água, os lábios secam, a garganta fica sedenta e assim você é avisado que a água é necessária para restabelecer o equilíbrio do corpo.

A capacidade do organismo de se auto-regular não ocorre apenas de forma física, mas também de forma psicológica.

Como dizia o Mestre Zen Shunryu Suzuki, possuímos uma mente pequena e uma mente grande... ou em outras palavras... uma mente superficial e uma mente profunda.

O que acontece é que vivemos imersos em nossa mente pequena, em nossa mente superficial. Diariamente, milhares de pensamentos vem e vão. Memórias, fantasias, projeções, desejos, planejamentos... passado e futuro se misturam e perdemos o que acontece no momento presente. E quando nos propomos a meditar, a confusão que existe na mente superficial é tudo o que conseguimos encontrar.

Muitas pessoas confundem meditação com concentração. Acreditam que o propósito da prática meditativa seja forçar a concentração num ponto e esquecer toda a onda de pensamentos existentes na mente superficial. Sentem-se sobrecarregadas com a enorme quantidade de pensamentos desconexos que surgem em suas mentes, o caos reina de forma soberana... Como colocar ordem na mente? Como silenciá-la?

Ao mesmo tempo em que essas questões são simples, são também muito complexas.

A verdade é que existe um processo de auto-regulação na mente que precisa ser descoberto. Quando você meditar sem se concentrar, quando apenas observar seus pensamentos sem julgá-los, quando puder simplesmente aceitar o que quer que surja em sua mente... poderá se distanciar da mente superficial e começar a descobrir e se identificar com a mente profunda.

Sem dúvida, é a mente profunda que tem a capacidade de auto-regulação. É a fonte do silêncio e da paz interior, é onde não existem pensamentos e nem preocupações, é o ponto de equilíbrio interno e a verdadeira base de um sólido inner game.

A mente profunda é a sua verdadeira natureza. Uma vez descoberta, não pode mais ser esquecida. Quem se esqueceria de um tesouro logo após tê-lo descoberto? Aquilo que é valioso não é passível de ser deixado para trás.

Essa é a verdadeira prática meditativa: a descoberta da mente grande, da mente profunda, da não-mente. Quando você de fato aprende a reconhecê-la, percebe que a mente superficial é apenas uma extensão da mente profunda. Assim como o vento balança as folhas de uma árvore, estímulos externos criam ondas na mente superficial. Mas assim como a raiz da árvore está fortemente estabelecida e equilibrada em seu próprio centro, a mente profunda não se abala com estímulos externos. Essa é a totalidade que precisa ser captada, a integração que precisa ser apreendida - ambas as mentes são uma só mente, o observador é o observado e ainda que exista dança e movimento na superfície, a profundidade permanece intocada...

Osho - Não Tente Mudar





"Tente entender isto. Você está tenso, você está infeliz, você está deprimido, com raiva, voraz, violento. Mil doenças estão presentes. Ainda assim, você pode praticar o silêncio. Estas doenças estarão dentro de você e você pode criar uma camada de silêncio. Você pode fazer meditação transcendental; você pode usar um mantra. O mantra não irá mudar sua violência, nem irá mudar sua avidez. Não irá mudar nada profundamente. O mantra pode apenas dar um efeito tranqüilizante. Apenas na periferia, você se sentirá mais silencioso. Isso é apenas um tranqüilizante, um som tranquilizador e a tranqüilização é possível através de muitos meios - muitos meios. Quando você repete um mantra continuamente, você se torna sonolento. Qualquer repetição contínua de um som cria tédio e sono. Você se sente relaxado, mas este relaxamento está apenas na superfície. Dentro, você permanece o mesmo.
 
Continue praticando um mantra todo dia e você sentirá um certo silêncio - mas não verdadeiramente, porque suas doenças não mudaram, sua estrutura de personalidade permanece a mesma. Ela está apenas disfarçada. Pare com o mantra, pare a prática e todas as suas doenças voltarão novamente.

Isto está acontecendo em todo lugar. Buscadores vão de um professor a outro. Eles prosseguem nisso, praticando, e quando eles param suas práticas, descobrem que são os mesmos; nada aconteceu. Nada acontecerá desta maneira. Estes são silêncios cultivados. Você tem que continuar cultivando-os. Naturalmente, se você continua cultivando-os, eles permanecem com você apenas como um hábito, mas se você quebra o hábito, eles desaparecem. Um silêncio real vem não por se usar uma técnica superficial, mas por você estar consciente de tudo o que você é - não somente estar consciente, mas permanecer com o fato daquilo que você é.

Permaneça com o fato. Isto é muito difícil porque a mente quer mudar. Como mudar a violência, como mudar a depressão, como mudar a infelicidade? A mente procura mudar para criar de certa maneira uma imagem melhor no futuro. Por causa disso, a pessoa continua procurando este e aquele método.

Permaneça com o fato e não tente mudá-lo. Faça isso por um ano. Fixe uma data e diga que: "A partir desta data, por um ano, eu não pensarei em termos de mudança. Eu permanecerei com tudo aquilo que eu sou; eu apenas estarei alerta e consciente". Eu não estou dizendo que você não terá que fazer nada, mas esse estado alerta é o único esforço. Você tem que estar alerta, não pensando em termos de mudança; permanecendo com tudo aquilo que você é - bom, mau, o que quer que seja. Um ano, sem nenhuma atitude de mudança, apenas estando alerta, de repente um dia você descobrirá que você não é mais o mesmo. O estado de alerta terá mudado tudo."

Osho - Sobre o Ego





"Através do ego a sociedade controla você. Você tem que se comportar de certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo. Você tem que caminhar desse jeito, você tem que rir assim, você deve seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você não sabe onde está, você não sabe quem você é.

Os outros deram-lhe a ideia. E essa ideia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. 
E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o Eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o Eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.

Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas…

Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de “eu sou”. 
Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos – porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser… É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca – a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.

Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.

E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.

Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca – e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.

Precisamos ser ousados, corajosos. Precisamos dar um passo para o desconhecido.

Por um certo tempo, todos os limite ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.

Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é a sua alma, o Eu.

Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade.
 Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade – essa é a própria ordem da existência.

É o que Buda chama de Dhamma*, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiura delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas…

O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?

O ego não é individual. O ego é um fenômeno social – ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o Eu.
 E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa? E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer…

E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.

Tente entender isso. E comece a procurar o ego – não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.

Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu – seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.

As causas não estão fora de você.

A causa básica está dentro de você – mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: ‘Quem está me tornando infeliz?’ ‘Quem está causando a minha raiva?’ ‘Quem está causando a minha angústia?’

Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.

E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo – porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.

Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: ‘tornei-me humilde’…

Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria – então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.

E então você nunca diz: ‘eu abandonei o ego’. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade…

É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.

Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.

Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.

Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo… e então o verdadeiro centro surge.

E esse centro verdadeiro é a alma, o Eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir.”
 
Osho - Além das Fronteiras da Mente

Osho - Não Mente



"Não é possível parar o pensamento - não é que ele não pare, só não é possível fazê-lo parar. Ele pára espontaneamente. É preciso entender essa diferença; do contrário você vai ficar maluco tentando perseguir a sua mente.

A não-mente não surge quando você pára de pensar. Quando não existe mais o pensar, existe a não-mente. O próprio esforço para parar de pensar criará mais ansiedade, criará mais conflito, fará com que você fique dividido. Você viverá em constante tumulto interior. E isso não ajudará em nada.

E, mesmo que você consiga forçá-lo a parar por alguns instantes - isso não será nenhuma conquista - pois esses instantes ficarão quase mortos, não serão nada vivos. Você poderá até sentir uma certa tranquilidade... mas não silêncio. Pois a tranquilidade forçada não é silêncio. Lá no fundo, nas profundezas do inconsciente, a mente reprimida continua em atividade.

Portanto, não existe um meio de parar a mente. Mas a mente pára - isso é certo. Ela pára por livre e espontânea vontade.

Então o que fazer? A pergunta é relevante. Observe. Não tente pará-la. Não é preciso fazer nada contra a mente. Pra começar, quem iria fazer isso? Seria a mente brigando com ela mesma; você dividiria sua mente em duas: uma mente estaria tentando ser a chefe, a manda-chuva, estaria tentando matar a outra parte de si mesma -  o que é um absurdo. É um jogo idiota, pode levá-lo à loucura. Não tente deter a mente ou o pensamento - só o observe, dê vazão a ele. Deixe a mente em total liberdade. Deixe-a vagar no ritmo que quiser; não tente de forma alguma controlá-la. Seja só uma testemunha.

Ela é tão bela! A mente é um dos mecanismos mais belos que existe. A ciência ainda não foi capaz de criar nada como ela. A mente continua sendo uma obra-prima, tão complicada, com um poder tão grande, com tantas potencialidades. Observe-a! Aprecie-a!

E não a vigie como se ela fosse um inimigo, pois se você olhar a mente como um inimigo, não conseguirá observá-la. Você já será preconceituoso, já estará contra ela. Já terá decidido que existe algo de errado com a mente - já terá chegado a uma conclusão. E sempre que você olha para uma pessoa como se ela fosse sua inimiga, você não a olha profundamente, nunca a olha dentro dos olhos; você a evita.

Observar a mente significa olhar para ela com um amor profundo, com profundo respeito e reverência - ela é uma dádiva de Deus para você. Não existe nada de errado com a mente em si. Não há nada de errado com o ato de pensar. Trata-se de um lindo processo, assim como é todo processo. As nuvens cruzando o céu são lindas - por que não haver pensamentos cruzando o céu interior? As flores pendendo das árvores são lindas - por que não haver pensamentos florescendo no seu ser? o rio correndo para o mar é lindo - por que não haver essa corrente de pensamento correndo em algum lugar rumo ao desconhecido? Não é lindo? Olhe a mente com profunda reverência. Não brigue com ela; ame-a.

Observe as sutis nuances da mente, os volteios repentinos, os belos volteios. Os saltos e trancos que ela dá; os jogos que continua fazendo, os sonhos que ela navega - a imaginação, a memória,  as mil projeções que ela cria - observe! Ficando ali, afastado, um pouco distante, sem se envolver, paulatinamente você começa a sentir... Quanto mais atento você fica, mais profunda fica a sua consciência; começa a haver lacunas, intervalos. Um pensamento vai, não vem outro, e surge uma brecha. Uma nuvem passa, outra está a caminho e surge um intervalo.

Nesses intervalos, pela primeira vez você terá lampejos da não-mente. Você sentirá o gosto da não-mente - chame-o de gosto do Zen, do Tao ou da Ioga. Nesses pequenos intervalos, de repente o céu fica limpo e o sol brilha. De repente o mundo se enche de mistério, porque todas as barreiras vão abaixo; a tela nos seus olhos deixa de existir. Você vê com clareza, de modo penetrante. Toda a existência fica transparente..." 


Osho - Consciência, A Chave para Viver em Equilíbrio