Geração Virtual
O que aconteceu comigo?
Em algum momento, eu me perdi e já não consigo mais reconhecer a mim mesmo.
Olho para os outros e só consigo me enxergar pela forma como os outros me olham.
Eles se tornaram o espelho onde procuro ver quem eu sou.
Mas o que eles sabem de mim?
Nem eu sei de mim mesmo...
E isso é estranho.
Vivo me procurando no próximo livro, no próximo artigo de internet, no próximo chat com alguém que nem conheço... não é à toa que não consigo me encontrar.
E essa busca por mim mesmo é tão dolorida.
Estou tão perto e tão longe a todo momento.
Como um cão buscando a própria cauda sem conseguir alcançá-la.
O encontro de si mesmo deveria ser o mais fácil
Entretanto, tem-se tornado a busca mais difícil.
Sou da geração virtual, a geração da internet.
Já nem preciso mais pensar,
O Google oráculo pensa por mim.
Se tenho uma dúvida,
Pergunto a ele e as respostas me são dadas.
E com todo o tipo de informação que me é acessível,
Continuo vivendo num tremendo vazio interior.
O que vem de fora não pode me preencher.
Às vezes, até penso que me preencheu, mas foi ledo engano.
Pareço um saco de informações furado, que nunca pode ser totalmente preenchido.
E se esse vazio fosse minha real natureza?
Como posso saber se é ou não é?
Vivo com medo de mergulhar nele, por isso prefiro surfar na internet.
Quando olho para a tela, o tempo voa.
1, 2, 3 horas... passa tão rapidamente.
Tenho todo o tempo do mundo...
Clico no próximo link, abro o próximo vídeo e assim o dia passa diante dos meus olhos,
por entre os meus dedos, escorrega sorrateiramente sem que eu perceba.
Não faço ideia do quanto isso pode ser prejudicial.
Posso até imaginar, tentar evitar.
Mas não funciona...
No dia seguinte, volto para o vício e esqueço de mim novamente...
terça-feira, 26 de maio de 2015
Erich Fromm
Erich Fromm
"Vivemos num tempo sem esperança.
Angustiado, o ser humano busca em que acreditar.
Em afluência, acerca os novos gurus.
Por infelicidade, retraem-se as pessoas de real inteligência,
possuidoras dos extensos conhecimentos
que não negam as formas primitivas de espiritualidade."
"A crença apaixonada, fanática em ideias e lideranças
- sejam quais forem - não passa de idolatria. Esta se
origina num sem número de mitos, na atividade interior, no Ser.
O mesmo é válido no que tange ao Amor universal:
torna-se idolatria quando alguém acredita
que outra pessoa tenha as resposta de sua vida e,
por presenteá-la com tal sabedoria,
converte-se em seu Deus."
"O amor não-idólatra por uma ideia ou pessoa é
suave, sem dissonâncias;
é tranquilo, profundo;
nasce a qualquer momento, mas não é embriaguez
Não constitui delírio,
tampouco conduz ao esquecimento de si mesmo;
provém, isso sim, do domínio do Ego."
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Osho - Zorba, o Buda
Osho - Zorba, o Buda
"Visualize uma vida do tipo Zorba, o grego – comidas, bebidas, divertimento, sensualidade, paixão...
Às vezes podemos pensar que este é o caminho...
Outras vezes podemos pensar que o caminho é sentar silenciosamente, atento, imóvel, como um monge.
Então, surge a dúvida: o que devemos ser – Zorbas ou monges?
Será que podemos ser ambos? Zorbas, movidos pela paixão e pelos desejos, e Budas, desapaixonados, calmos e tranqüilos?
Esta é a síntese suprema. Quando o Zorba se torna um Buda.
Zorba é lindo, mas alguma coisa está faltando. Ele é da terra, tem raízes, mas ele não tem asas. Ele não pode voar pelo céu. Ele tem raízes, mas não tem asas.
Comer, beber e se divertir, em si, é perfeitamente bom – não há nada de errado nisso.
Mas não é suficiente.
Breve você se cansará disso. Breve o sonho se torna
monotonia – porque é repetitivo. Apenas uma mente muito medíocre pode
continuar indefinidamente feliz com isso.
O próprio Buda foi um Zorba.
Ele teve todas as mais lindas mulheres que havia no seu país.
Seu pai providenciou para que todas as lindas garotas estivessem à sua volta.
Ele teve os mais belos palácios – diferentes palácios para as diferentes estações.
O próprio Buda foi um Zorba.
Ele teve todas as mais lindas mulheres que havia no seu país.
Seu pai providenciou para que todas as lindas garotas estivessem à sua volta.
Ele teve os mais belos palácios – diferentes palácios para as diferentes estações.
Ele
teve todo o luxo possível. Ele viveu a vida de Zorba, o Grego, por
isso, quando tinha apenas 29 anos, ficou absolutamente frustrado.
Ele era um homem muito inteligente. Se tivesse sido um homem medíocre, ele teria continuado a viver assim.
Ele era um homem muito inteligente. Se tivesse sido um homem medíocre, ele teria continuado a viver assim.
A experiência da vida é muito amarga. Ela é doce apenas na imaginação.
Ele fugiu do palácio, das mulheres, da riqueza, do luxo, de tudo mais...
Assim, não devemos ser contra Zorba, o Grego, porque Zorba, o Grego é a própria origem de Zorba, o Buda.
Ele fugiu do palácio, das mulheres, da riqueza, do luxo, de tudo mais...
Assim, não devemos ser contra Zorba, o Grego, porque Zorba, o Grego é a própria origem de Zorba, o Buda.
Buda surge a partir dessa experiência.
Assim seja totalmente a favor deste mundo, pois o outro mundo só pode ser experimentado através deste mundo.
Não fuja do mundo, não torne-se um monge.
Viva neste mundo, porque este mundo proporciona um certo amadurecimento, uma certa maturidade, integridade.
Assim seja totalmente a favor deste mundo, pois o outro mundo só pode ser experimentado através deste mundo.
Não fuja do mundo, não torne-se um monge.
Viva neste mundo, porque este mundo proporciona um certo amadurecimento, uma certa maturidade, integridade.
Os desafios deste mundo lhe dão centramento, consciência.
Então, você pode mover-se de Zorba para Buda.
Apenas os Zorbas se tornam Budas – e Buda jamais foi um monge.
Um monge é aquele que nunca foi Zorba e ficou encantado com as palavras dos Budas.
Então, você pode mover-se de Zorba para Buda.
Apenas os Zorbas se tornam Budas – e Buda jamais foi um monge.
Um monge é aquele que nunca foi Zorba e ficou encantado com as palavras dos Budas.
Quando um monge se afasta do mundo, ele vai lutando com o mundo.
Ele não parte relaxado. Todo seu ser é atraído pelo mundo. Ele se torna dividido.
Metade do seu ser é por este mundo e a outra metade se tornou ávida pelo outro.
Um monge é basicamente uma pessoa dividida entre o mais baixo e o mais alto.
Mas lembre-se que você só pode alcançar o mais alto apenas quando viveu inteiramente o mais baixo – somente passando por toda agonia e todo êxtase do mais baixo.
Ele não parte relaxado. Todo seu ser é atraído pelo mundo. Ele se torna dividido.
Metade do seu ser é por este mundo e a outra metade se tornou ávida pelo outro.
Um monge é basicamente uma pessoa dividida entre o mais baixo e o mais alto.
Mas lembre-se que você só pode alcançar o mais alto apenas quando viveu inteiramente o mais baixo – somente passando por toda agonia e todo êxtase do mais baixo.
Antes de uma flor de Lótus se transformar numa flor de Lótus, ela tem que se mover através da lama – essa lama é o mundo.
O monge fugiu da lama, talvez por causa do ego. Mas se ele quiser florescer como flor de lótus, ele terá que cair na lama – ele terá que viver essa contradição. Sem a contradição de viver na lama, não há como ir além.
Não anseie pelo outro mundo. Viva este mundo e viva-o com intensidade, com paixão.
O monge fugiu da lama, talvez por causa do ego. Mas se ele quiser florescer como flor de lótus, ele terá que cair na lama – ele terá que viver essa contradição. Sem a contradição de viver na lama, não há como ir além.
Não anseie pelo outro mundo. Viva este mundo e viva-o com intensidade, com paixão.
Viva com totalidade, com todo o seu ser.
E a partir dessa total confiança, a partir dessa vida de paixão, amor e alegria, você se tornará capaz de ir além.
O outro mundo está oculto neste mundo.
E a partir dessa total confiança, a partir dessa vida de paixão, amor e alegria, você se tornará capaz de ir além.
O outro mundo está oculto neste mundo.
O Buda está adormecido no Zorba. Precisa ser despertado. E ninguém pode despertar você, a não ser a própria vida.
Seja total onde quer que você esteja – viva essa condição totalmente.
Seja total onde quer que você esteja – viva essa condição totalmente.
E somente ao viver uma coisa totalmente você pode transcendê-la.
Primeiro torne-se um Zorba, uma flor desta terra, ganhando através disso a capacidade de se tornar um Buda – a flor do outro mundo.
Primeiro torne-se um Zorba, uma flor desta terra, ganhando através disso a capacidade de se tornar um Buda – a flor do outro mundo.
O outro mundo não está distante deste mundo; o outro mundo não é contra este mundo. O outro mundo está oculto neste.
Este é apenas uma manifestação do outro, e o outro é a parte não-manifesta deste."
Este é apenas uma manifestação do outro, e o outro é a parte não-manifesta deste."
Rapport Mental
Caçadores de Mentes
(Os comentários abaixo são referentes à cena entre 9:46 - 11:15)
Eis uma cena interessante do filme Caçadores de Mentes.
Um grupo de amigos detetives com alto conhecimento em psicologia, divertindo-se num bar, brincando de rapport mental.
E como construir rapport mental?
Primeiramente, precisamos aprender a construir o rapport tradicional da PNL.
Segundo Joseph O´Connor, o rapport pode ser construído:
Tendo interesse genuíno em outra pessoa;
Sendo curioso quanto a quem é e como pensa;
Estando disposto a ver o mundo a partir do ponto de vista da outra pessoa.
Portanto, o primeiro passo para ser capaz de aprender o rapport mental é ser capaz de cumprir com essas pequenas regras de rapport do O´Connor.
Considerando que você já esteja nesse nível, vamos para o rapport mental.
O segundo passo e um pouco mais avançado do que o primeiro é TORNAR-SE A OUTRA PESSOA.
(Se você ainda não viu, recomendo que veja o post "Gestalt-Terapia Explicada II - O Sonho de Madeline" para entender melhor o rapport mental.)
Na cena de Caçadores de Mentes, o personagem observa uma loira à distância e começa literalmente a torna-se ela:
"Eu sou uma jovem recém saída da faculdade e como vocês podem ver eu tenho um livro aqui na minha bolsa. Meus pais são muito ricos como podem ver... e aquele "j"... onde ele está? ah, está aqui no meu chaveiro... significa que me chamo Jill ou Jenifer. Aqueles são os nomes com "j" mais escolhidos no ano de 1981. Eu gosto de sair com minhas amigas e me divertir, mas na verdade eu sou uma mulher madura, procurando um homem maduro também..."
Notem que, assim como Madeline usava termos no presente para tornar-se os objetos de seu sonho, o personagem desta cena do filme usa termos no presente para tornar-se a outra pessoa: "eu sou uma jovem", "eu tenho um livro", "eu gosto de sair", "eu sou uma mulher madura"...
O uso do presente, do aqui-agora, facilita que o personagem de fato se identifique com quem ele está observando;
Uma outra característica que pode incrementar o rapport mental é o uso de leitura fria e deduções sobre a outra pessoa. Na cena, podemos perceber esses casos: "eu tenho um livro aqui na minha bolsa" (deduz-se que acabou de sair da faculdade), "meus pais são muito ricos" (está bem vestida e com muitos acessórios") 1981 (deduzindo a idade dela)...
Existem formas um pouco mais profundas de se criar o rapport mental, mas por hora, deixo essas 3 regras iniciais:
- aprender o rapport tradicional;
- uso de verbos no presente para gerar identificação;
- leitura fria e deduções do que é observado.
Rapport, identificação e deduções somadas à habilidade de representação monodramática geram resultados bem interessantes...
Gestalt-Terapia Explicada II
O Sonho de Madeline
(Os comentários abaixo visam explicar a segunda parte do vídeo acima: O Sonho de Madeline, a partir de 24:40)
(Os comentários abaixo visam explicar a segunda parte do vídeo acima: O Sonho de Madeline, a partir de 24:40)
Pela perspectiva gestáltica, existem 3 níveis de experiência: imaginar, representar e fazer.
A PNL, muitas vezes, trabalha com o imaginar, o fantasiar, o uso da mente através da criação de cenas internas utilizando os sistemas representacionais.
Já a Gestalt, visa trabalhar com o representar em si, o atuar de forma psicodramática.
E o que seria a atuação de forma psicodramática?
Primeiramente, é necessário considerar que Frederick Pels, "descobridor" da Gestalt-Terapia, herdou técnicas de outra teoria de psicologia chamada PSICODRAMA, criada por Jacob Levy Moreno.
Explicando de forma rápida e simplista, a principal técnica de Moreno era o uso da representação teatral para que o seu paciente tomasse consciência de si e das outras pessoas envolvidas numa situação problemática.
Por exemplo: Oliver tem um problema com seu chefe.
Na representação psicodramática, Oliver precisaria reviver o conflito com seu chefe, aqui-agora, no presente e interpretar tanto a si mesmo quanto a seu chefe dentro da situação onde eles têm um determinado conflito. Essa representação onde o indivíduo deve atuar sozinho, interpretando tanto a si mesmo quanto a outros "personagens" da cena é chamada de MONODRAMA.
Voltando para a Gestalt-Terapia...
No vídeo acima, é possível assistir como seria esse tal monodrama na prática.
Na verdade, a gestalt não é nem uma representação nem uma prática verbal, mas sim uma abordagem experiencial.
Madeline estará trabalhando um sonho de forma monodramática.
O que ela fala sobre o sonho não é uma recordação do passado existente apenas em sua memória.
O que ela fala é uma "re-experiência" de seu sonho de situações inacabadas no presente, no aqui-agora.
Notem que no sonho de Madeline, ela é a única pessoa do sonho. Todos os outros personagens não são pessoas, mas sim objetos e mesmo objetos podem ser usados como personagens dentro do monodrama gestáltico.
Desta forma, ela revive o sonho, primeiramente, a partir de sua perspectiva e depois pela perspectiva de outros personagens como a água ou a estátua. O objetivo dessa prática, diferentemente da psicanálise não é descobrir o porquê do sonho, o que ele significa ou o porquê dele ter se manifestado.
O objetivo da gestalt é reviver cada elemento presente no sonho para que possam ser integrados de forma "não-verbal" e a gestalt possa ser fechada.
Observem também que ela chora bastante durante essa re-experiência.
Como tratava-se de um sonho de quando ela era criança e carregado de forte conteúdo emocional, toda a emoção que antes era inconsciente, que antes compunha o fundo da experiência, agora é trazida para a superfície, experimentada de forma consciente, em forma de figura.
O choro possui uma função catártica, como um elemento de "limpeza" e libertação de algo que antes funcionava como um vazio não experimentado.
Quando todos os elementos e "personagens" importantes da cena são revividos e experimentados, a sensação que fica, como já mencionado, é a de integração... de que aqui-agora aquele sonho que antes incomodava como uma gestalt aberta, finalmente, está como deveria, está como uma gestalt fechada, que já não incomoda e traz uma forte sentimento de bem-estar...
domingo, 24 de maio de 2015
O Mestre dos 4 Elementos
O Mestre dos 4 Elementos
O Mestre dos 4 elementos (M4E) precisará ser auto-gerado.
Precisará criar a si mesmo desenvolvendo-se em todas as áreas vitais.
O M4E deverá ter domínio da terra, o corpo físico.
Seja trabalhando duro nas artes marciais, seja desenvolvendo sua habilidade em práticas esportivas - uma vida sedentária diminui a energia vital do indivíduo, fazendo como que ele encontre-se enfraquecido quando diante de situações estressantes sem ter forças suficientes para lidar com elas.
Não será muito gordo e nem muito magro. Saberá trabalhar o seu corpo tanto para gerar saúde quanto para melhorar a estética, afinal, seu corpo também é seu templo sagrado
O M4E deverá ter domínio sobre o fogo, a sexualidade.
Deverá ter controle sobre o seu instinto, não ser promíscuo, mas saber selecionar suas parceiras para que sejam de qualidade quase igual, igual ou superior a dele. Aqui, aplica-se muito bem o adágio "diga-me com quem andas e te direi quem és".
O M4E deverá ter domínio sobre a água, as emoções.
Precisará aprender a transcender suas emoções mais baixas e ser capaz de experimentar o auge do amor.
Não estamos falando dos "finais felizes" vistos nas novelas de baixa categoria, mas sim de amor pela humanidade, amor pela natureza, gratidão pela existência e todos as mais sublimes emoções que só alguém psicologicamente evoluído poderia experimentar.
O M4E deverá ter domínio sobre o ar, a mente.
Saberá meditar, lidar com os seus pensamentos, desfrutar dos mesmos e não se sentir entediado ou intimidado por eles.
Será capaz de desfrutar do presente, de levar uma vida descontraída, alegre e divertida, não por ter dominado o mundo, ter muito dinheiro ou por ser famoso ou uma celebridade... mas sim porque a alegria faz parte do próprio existir.
Vivemos num mundo onde a violência predomina, onde a corrupção reina soberana, onde a vida parece girar em torno do montante de dinheiro acumulado na conta bancária.
Mas ainda que tais elementos existam no mundo externo, não existem no mundo interno do M4E.
Ele saberá viver em paz onde há discórdia, saberá existir com gratidão onde a insatisfação, saberá sentir o amor onde as pessoas sentem dor, não por ser apático ao sofrimento alheio, mas sim por saber que a paz, a gratidão e o amor começam nele e se o mundo não é o ideal que ele deseja, que ao menos sirva como uma tela em branco onde ele pode espalhar sua aquarela de tranquilidade e diversão para fazer do mundo sua obra de arte.
Tyler = Curinga?
Chove muito, temperatura agradável... começo a pensa em Tyler e Curinga.
Recentemente, surgiu-me essa ideia: talvez eles possam ser a mesma pessoa.
Obviamente, não estou falando sério... mas talvez e apenas talvez, essa possibilidade poderia ser real em algum outro multiverso, afinal é inegável que esse dois grandes personagens compartilham de elementos bastante comuns.
O primeiro ponto em comum é:
Ambos são extremamente cativantes na categoria "almas perturbadas".
Quero dizer com isso que, quem quer que tenha visto ambos os personagens em ação pode perceber que não são "normais". São personagens incomuns, imprevisíveis, visionários e maleficamente independentes.
Tyler e Curinga representam a "sombra" de cada ser humano, nosso lado mais obscuro, aquele capaz de fazer qualquer coisa para defender o que acredita sem se importar muito com as outras pessoas.
O segundo ponto em comum é:
Indiferença diante da morte alheia.
Curinga era totalmente indiferente à dor humana, enquanto Tyler, a princípio, parecia importar-se que seus planos não matassem ninguém, o que pode ser comprovado pelo fato de ele implodir prédios à noite sendo que tais prédios estivessem vazios e assim, ninguém saísse ferido. Mas aí entra o trágico acidente de Bob, o peitudo que levou um tiro na cabeça enquanto cumpria uma das missões elaboradas por Tyler...
Tyler Durden, nas cenas seguintes, vem com o seguinte adágio: "se quiser fazer um omelete, precisa quebrar alguns ovos", demonstrando que, assim como Curinga, que foi capaz de matar sua própria "equipe" no assalto a banco no início do filme, viria a aceitar a morte humana com desdém como se a vida não valesse nada...
O terceiro ponto em comum é:
Indiferença diante da própria morte.
Quem é mais louco? Curinga ou Tyler Durden?
Fica a seu critério escolher: Curinga colocou uma arma nas mãos de Harvey-duas-caras e estava disposto a morrer se Harvey quisesse atirar, enquanto Tyler era capaz de tirar a mão do volante do carro e causar acidentes só para sentir o gosto da adrenalina e provar que nessa vida não temos controle de nada, por isso, só podemos deixar as coisas acontecerem...
O quarto ponto em comum é:
Ambos são anárquicos e gostam de explodir coisas.
Seja colocando bombas em navios para gerar pânico entre as pessoas ou colocar a bomba em prédios que guardam o sistema de cartões de créditos... ambos só estavam interessados em gerar o caos e "ver o circo pegar fogo", como dizia Curinga.
Gerar anarquia e deixar a humanidade livre de regras para que as pessoas pudessem ser desmascaradas, deixando a racionalidade e os bons costumes de lado parecia ser uma das utopias desses dois grandes personagens...
O quinto ponto em comum é:
Curinga e Tyler adoravam a vida de criminoso.
Tyler chega a chantagear seu chefe para que tivesse sua renda garantida eternamente no fim do mês, assim sobrando mais tempo para se dedicar ao Clube da Luta e outros projetos que evoluíam em seu nível de periculosidade.
O interessante é que ele e o Curinga são tão imprevisíveis que nenhum deles leva o dinheiro a sério: Curinga chega a queimar uma pequena pirâmide de dinheiro somente para provar que ele não possuía apego, enquanto Tyler mora num casebre caindo aos pedaços, sendo que ninguém sabe se a casa era dele ou se ele simplesmente invadiu...
O sexto ponto em comum é:
Tyler e Curinga parecem sentir prazer em sentir dor.
Seja espancado pelo Batman ou levando uma surra do dono do porão onde o Clube da Luta era realizado, tanto Curinga quanto Tyler resistiam a tremendas pancadas na cara com um grande sorriso no rosto. Este alto nível de masoquismo demonstra o quão doentios são ambos os personagens. Pessoas que sofrem de distúrbio de múltipla personalidade podem ter um alto limiar em relação ao estímulo de dor...
E pra finalizar, o oitavo dentre os vários pontos em comum desses personagens é certamente a má relação familiar, principalmente em relação ao pai.
Sabemos que Curinga teve o rosto cortado em formato de sorriso pelo seu próprio pai.
Apesar de o filme não entrar em detalhes, Tyler chega a comentar que gostaria de enfrentar o próprio pai dentro do Clube da Luta...
E por hoje é só pessoal.
Só gostaria de ressaltar que uma última semelhança entre eles e que já mencionei superficialmente anteriormente, seria o incrível DESAPEGO que eles tem pelo mundo.
Curinga e Tyler, se tivessem desenvolvido o desapego de forma saudável, talvez pudessem ser verdadeiros Mestres Zen, entretanto, o desapego foi desenvolvido de forma doentia e altamente destrutiva... mas quem sabe?
Talvez um dia... pudessem mudar suas perspectivas e ver o mundo de uma forma diferente...
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