quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Ansiedade por Frederick Perls


Você sente a famosa AA (Ansiedade de Aproximação) antes de abordar?
Palavras do psicólogo Frederick Perls sobre a ansiedade:

"O empecilho parece ser a ansiedade. 
Sempre a ansiedade. 
Se é preciso aprender uma nova forma de comportamento, é claro que se fica ansioso, e os psiquiatras têm medo da ansiedade. 
Eles não sabem o que é ansiedade. 
A ansiedade é a excitação, é o élan vital que carregamos conosco, e que se torna estagnado se estamos incertos quanto ao papel que devemos desempenhar. 
Se não sabemos se vamos receber aplausos ou vaias, nós hesitamos; então, o coração começa a disparar, e toda a excitação não consegue fluir para a atividade, e temos "medo de palco". 
Assim, a fórmula da ansiedade é muito simples: a ansiedade é o vácuo entre o agora e o depois. 
Se você estiver no agora não pode estar ansioso, porque a excitação flui imediatamente em atividade espontânea. 
Se você estiver no agora, você será criativo, inventivo. 
Se seus sentidos estiverem preparados, e seus olhos e ouvidos abertos, como em toda criança pequena, você achará a solução". 

Minha opinião é a exata cópia da ideia de Perls:
Sentimos uma certa "energia" na hora de abordar.
Se deixarmos a energia estagnar, sentimos ansiedade.
Se deixarmos a energia fluir, entramos no agora e a energia "energiza" a atividade.
Por isso aquela Regra dos 3 Segundos da época do Mistery é muito válida.
Em vez de estagnar a energia na mente e ficar pensando no que fazer ou no que a hb vai pensar da gente...
É melhor abordar de uma vez... e a energia vai fluir pelo corpo, deixando a gente mais vivo e intenso na hora de nos comunicarmos...

 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Medo Da Paixão

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O Falso Artista da Sedução e O Medo da Paixão

E dizia David Deida: "Viva com o coração aberto mesmo que doa!".
Mas quem entre nós tem essa coragem?
Veja esses grupos que se dizem pua´s e preste atenção nos comentários da galera...
Há algumas exceções, mas no geral, a galera é pobre em matéria de inteligência emocional...

"Não se apaixone! Mate seus sentimentos!
Seja frio e calculista! Emoção é coisa de mulher!"
É o que eles dizem...
Mas com um pouco de maturidade, é possível perceber o tipo de pessoa que se esconde por trás desse tipo de discurso:
O tipo que se apaixonou e se frustrou... e agora tem medo.
Ou o tipo que ainda nem teve a oportunidade de se frustrar, mas já está cheio de medo de que isso possa vir a acontecer...
E isso é uma pena...
Viver com base no medo não é viver de verdade.

O homem que teme a paixão limita a si mesmo.
Seu maior medo não é o de ser rejeitado.
Rejeitado ele já é... ele rejeita a si próprio, ele não se acha bom o bastante, ele não tem auto-confiança suficiente e não se acha digno e merecedor de uma bela mulher.
E se ele tentar uma relação com ela e ela o rejeitar... ela só estará confirmando todo o temor que ele esconde dentro de si mesmo.
A rejeição por parte das mulheres é só uma validação da realidade interna que já existe dentro dele.
Logo, o maior medo dele é que a mulher perceba quem ele realmente é... o estado de carência no qual ele vive constantemente.

O homem que teme a paixão tem uma grande e pesada bola de aço amarrada em seu tornozelo.
Ele não é livre, não é feliz... não tem uma vida de fato repleta de significado e de diversão.
E quando ele encontra uma bela mulher e se apaixona por ela, teme que ela o deixe e que vá embora.
E isso é totalmente compreensível.
Tanto por parte dele quanto por parte dela.
Se a vida dele é tão sem graça, é lógico que ele queira uma mulher que gere significado em sua vida e o faça esquecer do quanto ele não é feliz.
Assim como é compreensível que quando ela percebe o tipo de cara que ele é... seja lógico que ela prefira manter distância e encontrar uma companhia mais agradável...

Pare por um instante e pense consigo mesmo:
Quando você se apaixona, qual é a sua base? 
Qual é o foco que você experimenta internamente?
Você é o tipo preso pela bola de aço, que se encontra num estado carente, que deseja fortemente que ela te diga um "sim" para que então você possa finalmente se sentir feliz?
Ou você já está feliz desde o princípio e sabe que um "sim" ou um "não" vindo da parte dela não é grande coisa e qualquer que seja a resposta não vai alterar quem você é e o que você quer da vida?

Pense na sua resposta e perceba uma coisa.
Tudo isso é uma questão de Inner Game - Jogo Interior.
Você pode ser um mendigo emocional esperando que sua paixão seja correspondida ou pode ser um imperador, que já tem seu próprio império e novos territórios/metas a serem conquistados, podendo ter ou não uma pessoa ao seu lado...

O verdadeiro foco da tua vida enquanto homem nunca deveria ser uma mulher, mas sim você mesmo:
O que você quer?
O que você deseja realizar? 
Qual o legado que você sonha em deixar para trás quando finalmente chegar a hora de você partir desse mundo?
Questione-se qual o estilo de vida que você merece viver, assim como o tipo de mulher que você merece ter ao seu lado. 

Dizem que "todos os homens morrem, mas nem todos os homens vivem".
Atreva-se a viver.
Atreva-se a ser um imperador.
Não apenas em questões financeiras, mas em questões emocionais e espirituais também.
Seja repleto de experiências, viva suas paixões sem medo e cresça enquanto pessoa, cresça enquanto indivíduo.
A vida é só uma e o doce e o amargo que ela nos oferece merece ser experimentado em total plenitude...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Meditação: O Globo de Neve

 

É comum no Taoísmo falar-se da importância da Não-Ação, assim como é comum no Zen falar-se da importância da Não-Mente.
Aparentemente, essas religiões orientais têm um foco "negativo" e precisamos entender profundamente o porquê.

Imagine o seguinte:
Você está dirigindo e o carro que estava a sua esquerda, entra na tua faixa sem dar a seta e bate a frente do teu carro.
O teu primeiro impulso é ficar puto com a situação e querer sair do carro para quebrar a cara desse filho da puta.
Mas daí você pensa:
"O que quero realmente?"
Sair do carro, quebrar a cara dele e possivelmente ser processado por agressão, tendo talvez que pagar a ele uma indenização até maior que o estrago feito no teu carro?
Ou sair do carro, ter uma conversa sensata, resolver o problema, seguir com o teu percurso e continuar com o resto da tua vida?

Espero que numa situação como essas você escolha a segunda opção, ainda que tenha total liberdade para escolher a primeira e arcar com as consequências...
Mas a moral da história é que, no mundo externo, você precisa fazer uso da MENTE e da AÇÃO, alterando o teu pensamento e comportamento de forma inteligente e, consequentemente, obtendo as respostas ou resultados que você deseja receber de determinada situação.

Agora, pegue tudo isso que falamos e esqueça completamente quando estiver se dedicando à MEDITAÇÃO.
Toda ação que você aprendeu no mundo externo é totalmente desnecessária e contra-produtiva quando você estiver interessado em adentrar no teu mundo interior.
E essa é uma das causas principais de as pessoas não se darem bem com a meditação: a tentativa de trazer os hábitos e aprendizagens do mundo exterior para o mundo interno...

Pense no seguinte:
Você ganhou um globo de neve.
Mas há tanta "neve" dentro desse globo, que quando você o agita, ela se espalha e fica totalmente impossível de se ver o que há dentro do globo.
O que você deve fazer nesse tipo de situação?
Praticar a ação, agitar o globo com toda a força que te for possível e torcer para que um dia você consiga enxergar o que há dentro dele?
Ou praticar a NÃO-AÇÃO, párar de agitar o globo e esperar que a "neve" vagarosamente perca força e comece a se acomodar no fundo do globo?

Se quiser realmente enxergar o que há dentro do globo de neve, é bastante óbvio o que se deve fazer...
Mas você entende do que estamos falando?
Percebe que quando se fala de meditação, você é o globo de neve?
Cada vez que você está sentado, tentando meditar, tentando ficar concentrado... e surge um pensamento em tua mente, que rouba a tua atenção, te faz embarcar numa mini-viagem e te faz perder a concentração... como você reage?
A maioria dos iniciantes têm uma tendência a reagir com algum grau de insatisfação ou frustração.
Você reage da mesma forma?

Esqueça isso... tanto a concentração quanto a desconcentração são desnecessárias na meditação.
E isso porque ambas são funções da mente e meditação não é uma prática para a mente, mas sim para a NÃO-MENTE, que a princípio é propositalmente párar de CRIAR ou INCENTIVAR pensamentos.
Faça um teste:
Sente-se confortavelmente, não se mexa e experimente passar 5 minutos totalmente DESCONCENTRADO.
Se você tentar, algo curioso vai acontecer: você vai acabar se concentrando em alguma coisa!

Na meditação, não importa se você está concentrado ou desconcentrado.
O que importa é que você "pratique" a não-ação e a não-mente.
Isso significa que você deve esquecer toda a atividade física e ficar imóvel, assim como esquecer toda a atividade mental e deixar de produzir pensamentos (inclusive a concepção "estou concentrado" versus "estou desconcentrado" porque isso é apenas pensamento). 

Lembre novamente do globo de neve.
O objetivo do globo não é que você o resolva como um quebra-cabeças ou altere alguma coisa dentro dele.
O globo já é perfeito: ele é exatamente como deveria ser, nenhuma mudança é necessária, a questão é se você ENXERGA o que há dentro dele ou não.

E com você, acontece algo análogo.
Sua missão na meditação não é alterar os teus pensamentos e nem estar concentrado.
Sua missão, em termos budistas, é ser um OBSERVADOR ou ser uma TESTEMUNHA de si mesmo.
É permitir que todo o movimento que existe na tua mente, todo o caos gerado pelo teu pensamento, simplesmente pare de ser produzido através da não-mente, de forma que, como a neve do globo, os teus pensamentos comecem a perder força ao ponto de serem "dissolvidos"... toda a produção interna de imagens, todo o diálogo interno, tão necessários no mundo externo, precisam cessar durante a viagem para o interior... então, aquela densidade que parecia constituir os pensamentos vai aos poucos tornando-se cada vez mais sutil e desaparecendo gradativamente... até chegar ao ponto que você possa enxergar com todo esplendor o que há de fato no teu interior...

E então?
Você está pronto?

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Homens ou Ratos?

 

Afinal, somos homens ou ratos?
Sim, estou perguntando pra você mesmo que está lendo isso agora: você é um homem ou um rato?

Antes que responda, espero que compreenda a questão.
Não com uma visão superficial dos fatos, mas sim com uma perspectiva profunda sobre o que essa questão realmente significa. 

Se ainda não entendeu do que estamos falando, vamos fazer um breve esclarecimento...

Do ponto de vista dos psicólogos behavioristas (Watson, Skinner...), agimos de forma bem parecida a que os ratos agem... nossos comportamentos são, geralmente, determinados por recompensas ou punições.
Eles experimentaram deixar um rato dentro de uma caixa sem beber água por alguns dias.
Dentro da caixa, havia uma alavanca que, quando acionada, liberava 1 gota d´água.
Com tanta sede, o rato começava a andar por todos os lados da caixa em busca de água e por acaso, acabava acionando a alavanca que lhe liberava 1 gota d´água.
A princípio, o rato não percebia a relação entre o acionamento da alavanca e a liberação d´água, mas após algumas repetições, ele acabava aprendendo que ao acionar a alavanca, a água era liberada... e assim, passava a acioná-la propositalmente sempre que tinha sede, ou seja, seu comportamento de acionar a alavanca era recompensado com a liberação d´água.

Não vamos adentrar nos detalhes do experimento, mas imagine que, agora, sempre que o rato acionasse a alavanca, ele recebesse um choque em vez de ganhar 1 gota d´água para beber... com algumas repetições, em pouco tempo ele iria aprender a relação entre acionar a alavanca e levar um choque, de forma que logo ele iria párar de acionar a alavanca, já que seu novo comportamento estaria gerando uma punição... 

Feito este importante esclarecimento, podemos voltar para o verdadeiro tema deste texto:
Você é um homem ou um rato?
Até que ponto as recompensas e punições que você recebe da vida estão determinando o teu comportamento?

Pense na seguinte situação:
Você vai para a balada, feliz da vida... observa uma linda garota e decide falar com ela.
Ela te ignora ou te rejeita... talvez ela até ria de você na frente das amigas.
Ela está tentando "punir" o teu comportamento de ter ido falar com ela.

Como você se sentiria diante disso?
A punição dela funcionaria em você, estragaria a tua noite e te impediria de falar com outras garotas, como se você fosse um rato sendo adestrado por essa pessoa?
Ou você seria de fato um homem, repleto de liberdade, que escolheria qual decisão tomar depois deste acontecimento sem ser abalado por ele e sem ser adestrado por ninguém?

Quem comanda a tua vida?
Os acontecimentos externos que fogem ao teu controle?
Ou as tuas decisões internas baseadas no teu foco e nas metas que você definiu para si mesmo?

A todo momento, você recebe estímulos do mundo, pressões por todos os lados, se depara com pessoas que parecem querer testar a tua integridade.
Você pode sucumbir diante delas, desistir dos teus sonhos, sentir o peso das punições diárias que recebe e pedir para sair do jogo da vida que tão brutalmente te derrotou...
Ou você pode verdadeiramente reivindicar a tua individualidade, exercer tua liberdade, transcender as punições e recompensas que tentaram te impor e moldar o mundo da forma que realmente deseja, fazendo dos teus mais profundos sonhos uma autêntica realidade.

A escolha é só sua e o preço a ser pago por ela só depende de você.

Ser um rato ou um homem?
Faça a sua escolha...



terça-feira, 19 de julho de 2016

Sobre O Sentimento II


Hoje eu gostaria de dar continuidade ao texto que escrevi recentemente "Sobre o Sentimento".
Se você ainda não o leu, recomendo que leia antes de prosseguir.

Começarei te colocando na seguinte situação: como você se sente quando alguém te chama de filho da puta?
Mas antes de adentrarmos nessa questão, vamos fazer uma pequena introdução a um tema que precisa ser entendido primeiro.

Você já assistiu a série Lie to Me?
O protagonista Cal Lightman é capaz de interrogar uma pessoa e enxergar as emoções que se manifestam no rosto dela, podendo então distinguir se ela está mentindo ou falando a verdade. O mais curioso é que a série foi inspirada no trabalho de um psicólogo norte-americano que existe na vida real chamado Paul Ekman, que escreveu um livro bem interessante lançado no Brasil com o título A Linguagem das Emoções, onde explica como reconhecer as 7 emoções básicas do ser humano observando a fisionomia das pessoas.

Agora, lembremos do filósofo e psicólogo também norte-americano chamado William James. Talvez você já tenha ouvido sua famosa frase: "O pássaro não canta porque está feliz, mas sim está feliz porque canta". James tinha o pensamento de que não há como estabelecer o que vem primeiro: a emoção externalizada no corpo ou a sensação experimentada internamente. Por exemplo: você se sente triste e depois chora, ou você chora e então se sente triste? Ambos são verdadeiros! Você pode fazer o teste agora mesmo e começar a chorar que logo você vai se sentir triste... assim como pode lembrar de uma situação em que se sentiu triste e depois começou a chorar...

A moral da história que podemos aprender com Ekman e James é que existe uma relação direta entre mente-corpo e corpo-mente... um acompanha o outro. Você ou o pássaro pode estar feliz e começar a cantar ou pode propositalmente cantar para então começar a se sentir feliz. Até o Tyler da RSD tira proveito desse conhecimento e força a fisiologia para colocar sua mente num estado mais construtivo para realizar abordagens (https://www.youtube.com/watch?v=2IHIseNLvjs).

Visto que entendemos esta introdução sobre a relação mente-corpo/corpo-mente, voltemos para a pergunta inicial: "como você se sente quando alguém te chama de filho da puta?".

A partir de agora, devo destacar que não falarei de ideias que foram criadas por mim, mas sim de ideias que peguei emprestadas do Zen, de Osho, da Gestalt-Terapia de Frederick Perls e que venho aplicando a mim mesmo no meu cotidiano. Espero que possa acompanhar como aplicá-las.

Pois bem... o mais comum que pode acontecer a uma pessoa quando ela é chamada de "filho da puta" é:
1 - se sentir ofendido;
2 - tacar o foda-se e ignorar; ou reagir verbalmente e ofender quem a ofendeu;
3 - perder a cabeça e tentar matar quem lhe chamou de filho da puta...

Vamos começar pelo começo e colocar a situação num microscópio para enxergá-la da forma mais precisa possível:
Ao ser chamada de "filho da puta", a pessoa se sente ofendida.

Mas o que seria sentir-se ofendido?
A pessoa se sente ofendida na mente ou no corpo?
A ofensa está no pensamento ou é uma sensação?

Peço que reflita sobre isso antes de prosseguir com o texto.
Considere o que comentamos a respeito de Ekman e James, imagine a si mesmo na situação.
Quando você se sente ofendido, onde você experimenta essa ofensa?

Refletiu?
Se ainda não, reflita!

Bom... vou continuar com o texto.
Espero que não esteja me enganando e tenha refletido mesmo, haha.
Espero que tenha sua própria resposta para que possamos compará-las.

Então...
Eu não cheguei a estudar um número significativo de pessoas para afirmar com certeza se a ofensa começa na mente ou no corpo delas...
Eu apenas tenho estudado e observado a mim mesmo, por isso falarei o que acontece comigo:
Quando alguém me ofende, percebo que a ofensa começa primeiro na minha mente e em seguida, espalha-se pelo meu corpo, geralmente, sinto uma tensão no rosto (principalmente na testa) e um desconforto na região do peito ou do estômago.

E por que é importante saber disso?
A Gestalt-terapia é uma abordagem da psicologia "herdeira" do Zen.
Frederick Perls, seu principal representante, emprestou algumas ideias do Zen para compor sua teoria.
E uma dessas ideias consiste justamente em "ir até a fonte".

Se você for uma pessoa interessada pelo auto-conhecimento e está numa situação onde alguém te ofende, você pode escolher entre dirigir sua atenção para fora ou para dentro, para o outro ou para si mesmo.
Se você dirige a atenção para o outro, você se perde.
Se você dirige sua atenção para si mesmo, existe a possibilidade de você se encontrar.

Experimente: quando alguém tenta te ofender, pergunte-se "como estou me sentindo agora?" e observe.
Se você se sentir ofendido, pergunte-se "onde estou me sentindo ofendido?".
E apenas observe o teu corpo, vá até a própria fonte da ofensa, sinta onde ela realmente está e torne-se realmente íntimo dessa sensação.

No começo, será desconfortável.
O mais comum é que a gente sinta bastante resistência em lidar com nossos sentimentos diretamente.
Muitas pessoas têm grande dificuldade em descrever e reconhecer o que sentem...
Por isso, está é uma prática que exige uma grande dedicação, uma grande disciplina e uma enorme vontade de conhecer a si mesmo.

Mas para os que realmente tenham interesse, pode ser que algo interessante comece a acontecer.
A nossa consciência tem uma capacidade de "dissolução", de ser transformadora, de ser alquímica.
Aqueles sentimentos que normalmente nos geram repulsa e desconforto podem ser dissolvidos pela consciência quando observados.
E quando esses sentimentos se dissolvem... uma transformação acontece.
A energia que era investida nesses sentimentos, que se manifestavam em forma de tensão ou desconforto em nossos corpos, agora pode ser liberada e usada de outra forma.
A energia começa a fluir livremente e a existir de um modo natural, sutil, integrado.

E quando isso acontece, você se liberta.
Da próxima vez que alguém te chamar de "filho da puta", pode ser que você sinta-se ofendido na mente, mas começa a deixar de sentir a ofensa no corpo.
E com um pouco mais de prática e auto-conhecimento, pode ser que você deixe de sentir a ofensa inclusive na sua mente...
E se não houver ofensa nem no corpo, nem na mente... quem estará ofendido?

Sobre A Aceitação


A base do Zen é a aceitação.

Aceitação... ensinamento tão simples e aparentemente tão difícil de ser praticado.
E isso porque a base da sociedade é a divisão.
A sociedade não quer que nos tornemos indivíduos.

Indivíduo = aquele que não se divide.
Que não está em conflito consigo mesmo, que não oferece resistência a si mesmo... 
Mas quem conhece alguém assim?

Os cristãos estão divididos, porque não aceitam o pecado.
E a própria resistência ao pecado é exatamente o que faz o cristão pecar.
A própria fuga do pecado é exatamente o que mantém o pecado vivo dentro da mente de cada cristão...
Ainda que o sujeito reprima, evite ou lute contra seus mais íntimos desejos, estes continuarão existindo na profundidade da mente do sujeito, só esperando o momento certo para se manifestar...
E por quanto tempo pode uma pessoa impedir que seus desejos se manifestem?
Por quanto tempo pode uma pessoa se reprimir?
Uma vida? Talvez.
Uma eternidade? Impossível.
Mesmo que uma pessoa reprimida fosse para o céu, sua mente continuaria a mesma e o desejo que foi reprimido por tanto tempo durante sua estadia na Terra, acabaria por explodir de forma desastrosa, demonstrando quem a pessoa realmente é e o quê ela realmente escondia em seu interior...

O pecado e o desejo são como a sombra.
Elas te perseguem quando você tenta fugir deles.
Mas quando você os aceita, algo interessante acontece.
Tente correr para sua sombra e ela parece correr para longe de você.
E se você tentar pegá-la, se tentar colocar a mão nela... vai perceber que ela não tem substância real, não é concreta.
E você vai acabar pegando o que está por trás dela, aquilo que de fato existe, que é verdadeiramente real.
E quando falamos de pecados e desejos, pode ter certeza que o que existe por trás deles é simplesmente você mesmo...
E a escolha é toda sua.
Você pode passar a vida inteira descobrindo a si mesmo ou fugindo de si mesmo.

Mas fugir de si mesmo não é algo muito inteligente.

A não-aceitação é o maior pecado.
A fuga de si mesmo é a única fuga que não pode ser concretizada, pois aonde quer que você vá, você estará lá... haha, paradoxal, não acha?
Passamos muito tempo nos dividindo.
Queremos ser o contador da piada, mas nunca o motivo dela.
Queremos o sucesso, mas corremos do fracasso.
Buscamos a felicidade, mas fugimos da tristeza.
Dizemos ser filhos de Deus, mas ficamos putos quando nos chamam de filhos da puta...
Meras palavras e nosso mundo interno desaba...

Ora... somos ou não somos indivíduos?
Enquanto houver resistência, enquanto houver conflito, enquanto houver divisão entre o que gostamos ou não gostamos de ser... a individualidade será apenas uma palavra, pois se formos indivíduos de fato, seremos a porra toda... "filhos da puta" e filhos de Deus ao mesmo tempo.

E a divisão não existe apenas entre o ser e o não-ser, entre o que aceitamos ser e o que desprezamos ser... mas a divisão existe também entre o que somos e o que desejaríamos ser, entre o que somos agora e o que achamos que poderíamos ser um dia, em um futuro bem, bem distante.
E assim o momento se perde, a essência do agora se perde, a verdadeira natureza do ser se perde, porque a possibilidade está no futuro, e o futuro só existe na mente, e a mente é a propriedade do ser mais distante do próprio ser.

O corpo está perto do ser.
O sentimento/emoção está perto do ser.
Mas a mente... esta também pode está perto do ser, mas geralmente é a mais distante.
E isso porque podemos emprestar pensamentos, podemos introjetá-los, podemos ter preguiça de pensar por conta própria e usar os pensamentos dos outros.
Mas podemos fazer o mesmo com as emoções?
Podemos fazer o mesmo com o corpo?Olha que até poderíamos... mas a empatia genuína é mais incomum que a introjeção de pensamento, e o espelhamento/rapport físico é o mais próximo que poderíamos chegar da corporeidade de outra pessoa...

Eu gostaria de fazer um convite a você.
E espero que você aceite.
Não por mim, mas por si mesmo, pois isto pode literalmente mudar a tua vida caso você o faça.


Por 1 semana, aceite a si mesmo.
Aceite cada pensamento que passa em tua mente.
Cada emoção que passe em teu corpo.
Reconheça que tudo que você experimenta é na verdade uma extensão de você mesmo.
E permita que cada momento se torne uma autêntica oportunidade para a auto-descoberta.

Abandone o mindset de "este sou eu" versus "este não sou eu".
Ou de "gosto de me sentir assim" versus "não gosto de me sentir assim".
E adote um mindset que seja mais parecido com isto: "este sou eu e este também sou eu e este sou mais eu e mais eu e mais eu..." e permita que se prolongue, sem censurar absolutamente nada do que você experimenta.

Tenho certeza que, os que ACEITAREM os 7 dias do desafio, terão grande ACEITAÇÃO de si próprios...

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sobre o Sentimento

 

Olá, caro amigo.

Faz tempo que não conversamos.

Lembro que fiquei de comentar a respeito de um insight que me surgiu esses dias.
Sente na cadeira, pegue o café e leia com atenção, pois aqui vai.

Ouvi contar:
Dois jovens tinham o sonho de se tornarem grandes equilibristas.
O primeiro treinava todos os dias.
Subia na corda bamba, caía para a esquerda, caía para a direita, mas sempre se levantava e continuava com o treinamento.
O segundo não treinava, nunca subia na corda. Ele sendo um grande teórico, acreditava que através do pensamento encontraria uma ideia genial que o faria ter o equilíbrio perfeito sem necessidade de treinamento.
Passado o período de 1 ano...
O primeiro jovem conseguiu desenvolver bastante as suas habilidades e de fato conseguiu se tornar um grande equilibrista.
Já o segundo... bem, até hoje ele continua a espera da ideia genial que vai solucionar o seu problema.

Sabe, por muito tempo eu fui como o segundo jovem.
Eu não subia na corda bamba, eu não vivia a minha vida.
Eu estava o tempo todo pensando e procurando por respostas prontas, por crenças e ideais que me proporcionassem a "forma correta de se viver".
Haha, eu simplesmente não corria riscos, não caía nem para a direita nem para a esquerda da corda da vida, pois eu tinha muito medo de me machucar, de cometer erros, de simplesmente ser humano...
E isso me atrasou muito, me limitou muito enquanto pessoa.
Eu acabei me tornando um colecionador de ideias vindas de outras pessoas sobre como eu deveria viver a minha vida.
Isso não é absurdo?

O insight que eu quero compartilhar com você gira em torno disso:
O SER HUMANO NÃO É AQUILO QUE ELE PENSA, MAS SIM AQUILO QUE ELE SENTE.

Não existe um pensamento, uma ideia fixa, uma fórmula que vá te dar o equilíbrio perfeito para que você nunca caia da corda bamba.
O equilíbrio não surje de fora, mas sim de dentro. 
Ele precisa ser descoberto, experimentado, sentido até que se torne parte de você.
E assim como temos um "sentido de equilíbrio físico", também temos um "sentido de equilíbrio psicológico"...
Uma espécie de balança interna que sabe pesar com exatidão as atitudes que devemos tomar em nossas vidas, mas claro, precisamos aprender a usá-la e a confiar nela.

Outra coisa que percebi, foi que passei muito tempo tentando mudar o passado, ou melhor, a forma que eu me sentia quando lembrava do passado...
Mas também percebi que este não é o caminho.
E isso não se aplica apenas ao passado, mas ao presente também.
Passei muito tempo tentando descobrir "como mudar o que sinto", "como ser uma pessoa diferente" e esse tipo de coisa.
Mas essa é outra ideia absurda, haha.

Por que eu deveria mudar o que sinto?
Por acaso o que sinto está errado e precisa ser corrigido?
Na maioria das vezes: não! Absolutamente não!

Se pretendo saltar de pára-quedas, é natural que eu sinta medo.
O medo que existe em mim é um sentimento saudável que está exatamente onde deveria estar, de forma perfeita e impecável.
Mas se desejo que esse medo deixe de existir, se tento mudá-lo... acabo por cometer um verdadeiro ato de violência, uma auto-violência, por tentar mudar quem eu sou, por tentar mudar o que sinto.
E pode acreditar, na maioria dos casos, aquilo que sentimos é simplesmente perfeito, é o sentimento ideal para a situação.
Se há algo de errado, muito provavelmente é o que pensamos sobre a situação, mas não o que sentimos em relação a ela.

Vamos para um exemplo concreto:
Imagine que você sofreu bullying durante a infância.
Talvez você fosse gordinho e baixinho, e as outras crianças te zoavam por isso.
Você cresce, mas o sentimento de mágoa ao relembrar do passado continua existindo em você.
E você começa a pensar que há algo de errado, que essa mágoa não deveria existir, que você deveria superar isso e deixar tudo para trás.

Sim, concordo que este seja um pensamento bastante lógico, que faz sentido, mas que ao mesmo tempo está totalmente equivocado.
"A mágoa não deveria existir" já que "ela faz parte do passado".
Ora... se você sente essa mágoa agora, ela não faz parte do passado, mas sim do presente.
Ela é um sentimento real que existe em você e que precisa ser experimentada em vez de ser negada ou reprimida.

Medite sobre a sua mágoa.
Permita que ela exista dentro de você e não fuja dela, não ofereça resistência.
O sentimento é como a água, não tem forma definida, é bastante maleável.
Admito que não é uma coisa fácil de ser feita a princípio, mas que pode se tornar fácil com a prática.
Não tente mudar o que sente, apenas permita-se sentir o sentimento.
Dê palavras a ele, dê vazão e expressão a ele. 
Descreva o que está sentindo sem nenhuma pretensão de mudá-lo.
Quanto mais você aceitá-lo, quanto mais você for receptivo, mas maleável ele vai se tornar, até chegar a um ponto no qual o "equilíbrio interno" vai ocorrer.

Você não mais cairá nem para a esquerda nem para a direita.
Você estará centrado, no caminho do meio, perfeitamente equilibrado com quem você é e com o quê você sente.
E quanto mais você se familiariza com os teus sentimentos, mais profundamente você é capaz de experimentar a si mesmo, até chegar ao ponto em que você possa se sentir integralmente, sem divisões, sem conflitos, sem resistências... apenas um estado de ser pacífico, holístico, energizado, revigorante e realmente vivo... um estado de ser que existe aprofundado num eterno AGORA...